Teresa sem medo: Família
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Não gosto da minha irmã

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Joana tem 42 anos, é casada há 15 e tem duas filhas: Patrícia, com 12 anos, e Luísa, com 8 anos de idade.

Pergunta: 
A minha filha mais velha pensa que eu gosto mais da irmã do que dela. Esta semana escreveu-me esta mensagem: “desde que a minha irmã nasceu, a minha vida é uma porcaria!”. Diz-me várias vezes que eu acho graça a todas as brincadeiras da irmã e que ela é mais bonita do que ela.

Resposta:
Compreendo perfeitamente que se sinta angustiada e imagino o quanto deverá ser duro para si ouvir a sua filha dizer-lhe que gosta menos dela do que da irmã.

O nascimento de um irmão é sempre uma fase sensível para os filhos mais velhos. É comum que os irmãos fiquem ligeiramente perturbados podendo pensar que os pais vão gostar mais do bebé do que deles, que o bebé vai roubar toda a atenção, que os pais querem outro bebé por eles terem feito alguma coisa de mal.

Posteriormente, a rivalidade entre os irmãos pela atenção dos pais faz parte do natural desenvolvimento das crianças.

A Patrícia manifesta não só um comportamento de rivalidade fraterna, importante para o seu desenvolvimento, como verbaliza a necessidade que sente na confirmação do amor da mãe. As palavras da mensagem remetem para a problemática da aceitação do nascimento de um irmão. Ora, não se trata aqui de uma questão de amor por parte dos pais, mas sim de uma necessidade de comunicação.

Concretamente, a Patrícia precisa urgentemente de ser ajudada pelos pais a (re)encontrar o seu lugar na família e reforçar os sentimentos de segurança e de amor no seio da mesma. Só assim conseguirá desenvolver uma relação saudável com a irmã.

Se a Patrícia não for ajudada vai crescer com o sentimento de ser “menos amada”, “menos bonita”, “menos competente”…, o que contribui fortemente para a construção de uma baixa auto-imagem de Si.

Consequentemente, o que hoje representa “ser menos do que a irmã” poderá transformar-se em “ser menos do que os outros” e por isso ter implicações importantes na sua vida e na criação de relações sociais saudáveis.

Carina Silva,
Psicóloga Clínica



Eu e o meu marido não concordamos em relação à educação do nosso filho

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Tenho 41 anos, sou casada há 13 anos, tenho dois filhos (12 e 9 anos de idade).

Com a minha filha Ana, nunca tive problemas. No entanto, o comportamento que o meu filho Miguel tem na escola veio mostrar que eu e o meu marido não nos entendemos nesta questão. Temos pontos de vista opostos. O nosso filho traz recados de mau comportamento e eu digo-lhe que ele não pode bater nos colegas. O meu marido diz que ele tem de bater, que tem de se defender.

Vejo que os meus filhos não andam bem. Estão oprimidos e confusos porque o pai diz uma coisa e mãe diz outra. 

Acha que terei de separar-me do meu marido?

Maria, quando li o seu email, a sua questão levou-me a pensar, por um lado, o quanto se deveria estar a sentir só e desamparada com as dificuldades resultantes do comportamento do seu filho. E, por outro lado, o grande desejo que sentia para resolver este problema em conjunto com o seu marido.

O comportamento do Miguel é uma preocupação de ambos os pais. Parece-me, que a permissão que o seu marido dá ao filho para usar da violência na relação com os colegas, esconde o medo de que o seu filho possa ser vítima de agressão. Ou seja, o pai pensa que se o filho for agressivo está menos exposto à possibilidade de ser agredido. Como tal, entende estar a protege-lo.

Ora, o comportamento desajustado do Miguel revela as suas fragilidades emocionais. Nomeadamente, a dificuldade em lidar com a zanga e com a frustração na gestão de conflitos inerentes à relação com os pares. Esta fragilidade impede-o de agir de forma saudável – assertiva.
Ao contrário, age agressivamente.

O estabelecimento de relações saudáveis de amizade são fundamentais na faixa etária do Miguel. Contribuem para o desenvolvimento harmonioso da personalidade.

O Miguel precisa por isso que os pais o ajudem a desenvolver as suas competências emocionais, nomeadamente a assertividade, ou seja, o ser capaz de expressar os seus desejos e opiniões, com segurança e clareza.

As funções parentais são um desafio importante, mas, frequentemente, contribuem mais para o afastamento, do que para a união entre o casal.

Aconselho-vos a procurarem ajuda para que possam ajudar o vosso filho também.

Carina Silva,
Psicóloga Clínica

Crescer pelo confronto

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Visita à SEIES - Entrega dos Donativos da Conferência da Coragem Geralmente temos medo de entrar em confronto com o outro. E não gostamos de ser confrontados. Na raiz de ambas as situações está o nosso receio de sermos humilhados, de perdermos a batalha que origina o confronto. Mas também, amiúde, o receio de sermos abandonados pelo outro. Ou de perdermos a sua estima, a sua admiração, e, na base, o seu amor.

No entanto, assumir o confronto, sem medo, poderá ter resultados muito positivos no aumento da nossa auto-estima e no reforço do nosso valor pessoal. Claro que, estamos aqui a falar de confronto praticado com honestidade e respeito pelo outro. Pelas suas diferenças de opinião. Pela sua singularidade.

Hoje, tive o grato prazer de visitar a SEIES - Sociedade de Estudos e Intervenção em Engenharia Social, na sua sede, em Setúbal. O motivo da visita foi entregar o donativo angariado aquando da primeira Conferência da Academia da CoragemAs Mulheres e a Coragem, que teve lugar no passado dia 7 de Março. Nesta visita, foi-nos apresentada a Associação, que ficámos a conhecer por dentro. Percebemos melhor qual a sua missão, que apoio dá às mulheres que a procuram e as variadas formas como esse apoio é prestado.

Em conversa com a Dra. Isabel Rebelo, que nos explicou a origem do projecto, no início dos anos 80, foi com alegria e alguma surpresa que ouvimos a dirigente dizer que a SEIES ajuda mulheres sim, mas estabelecendo com elas um confronto que as obrigue a encontrarem por si mesmas as respostas que procuram, os recursos que pretendem e as mudanças de vida que desejam. Ou seja, a ajuda é muito mais que oferecer o peixe sem espinhas e já cozinhado. A caridade ajuda significa devolver ao outro a sua capacidade inata de dar a volta por cima! É esta a filosofia desta Organização, que considero um exemplo!

Obrigada pelo trabalho que estão a desenvolver!
A Academia da Coragem cá estará para continuar a apoiá-lo!

Leia também a notícia sobre a entrega dos donativos no site da Academia da Coragem:
http://www.academiadacoragem.pt/noticias/academia-entrega-donativos-a-seies

Teresa Marta

Ana, com os nervos à flor da pele, reencontra o equilíbrio

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Se estão recordados, na última crónica contei a estória de Ana, que gostaria de se sentir menos nervosa e melhorar a relação com o seu marido.

Ana tomou consciência que o afastamento conjugal se tinha iniciado após o nascimento da filha de ambos, mas que nos últimos anos ainda se tinha agravado mais.

Ora, o nascimento do primeiro filho constitui uma marca fundamental na história de qualquer casal, na medida em que ao sistema conjugal se acrescenta o parental. Assim, é comum que numa primeira fase, o casal se centre fundamentalmente nas funções parentais.

Os elementos do casal deixam de ser apenas filhos, passando a ser também pais havendo ainda tendência para darem atenção à sua relação com os seus próprios pais. Estes motivos (mais complexos do que à partida parece), fazem com que numa primeira fase as atenções do casal estejam muito mais centradas na parentalidade do que na intimidade.

Assim, neste contexto de exploração das dimensões feminina e materna de A., esta recorda: “não sei se isto tem alguma coisa a ver, mas quando eu era pequena lembro-me de ouvir uns barulhos que vinham do quartos dos meus pais. Na altura eu não sabia o que era e tinha medo. Mas agora sei que tinham a ver com a vida íntima dos meus pais.” A. percebeu que este acontecimento estava claramente relacionado com a sua própria vida íntima, tanto mais que o distanciamento se agravava à medida que a filha, Maria, crescia.

A. sentia-se um pouco perdida porque acabava de fazer a ligação entre um acontecimento do passado e a influência deste na sua vida presente, mas não sabia como isso a poderia ajudar na prática.

A. iniciou o caminho do amor próprio e por isso começou a dedicar tempo para trabalhar o seu bem-estar emocional. Numa primeira fase,  exercícios respiratórios específicos, banhos relaxantes e o uso de cremes corporais, manifestaram-se muito benéficos para restabelecer o seu equilíbrio. Depois, partilhou com o marido o que se passava. Em seguida, começou a convidá-lo para fazer os programas que ela desejava fazer, mas que esperava que ele adivinhasse e a convidasse. Em suma, actualmente Ana continua casada e sente-se muito feliz.

Na relação conjugal, o ritmo da intimidade, em casais com alguns anos, é frequentemente vivido de forma distinta pela mulher e pelo homem.

Carina Silva,
Psicóloga Clinica

Mãe Suficientemente Boa

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Durante muitos anos acreditou-se que o papel de mãe se traçava em torno do cuidar.

Intoxicadas por regras de puericultura e "moldagem" de personalidades como se nascêssemos argila à espera de sermos trabalhados, as mães viam-se muitas vezes impedidas de dar largas à sua criatividade e até ao amor que sentiam pelos filhos.

Cuidar foi, durante séculos, sinónimo de alimentar, manter limpo e zelar para que dormisse o mais possível. Há meio século vivia-se mesmo o mito de que os bebés não deviam ser beijados não fossem sofrem um ataque crónico de micróbios galopantes e, qui ça, mortais.

O conceito de Mãe Suficientemente Boa traçado por Winnicot poderia ter alterado o comportamento de muitas mães se nós tivéssemos vivido num país diferente e, se tal tivesse acontecido, quem sabe seríamos hoje um povo diferente.

Mas como a minha mãe sempre disse - "não vale a pena chorar sobre o leite derramado" e "vale mais tarde do que nunca".

Assim, aqui fica para quem ainda pensa que ser mãe é um bicho de sete cabeças:

Ame o seu filho na certeza de que ele é uma pessoa desde o momento em que nasceu. Observe-o. Estabeleça com ele uma relação de amor, curiosidade e respeito. Você é o espelho dele - não receie Ser. Dê asas à sua criatividade.

"Winnicott acreditava que a mãe suficientemente boa é aquela que possibilita ao bebê a ilusão de que o mundo é criado por ele, concedendo-lhe, assim, a experiência da onipotência primária, base do fazer-criativo. E a percepção criativa da realidade é uma experiência do self, núcleo singular de cada indivíduo."
- Fonte: Psicologado.com

Alda Couto,
Técnica de Educação

Mostra o Teu Herói: Nova autora no TSM

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O blog Teresa sem Medo contará, a partir de hoje, com mais uma autora. A Dra. Alda Couto, Técnica Superior de Educação, especializada no Desenvolvimento Pessoal de Crianças e Jovens.

Conheço a Alda há 10 anos. Uma amiga comum, do tempo em que fui Directora de Marketing da UNICRE, colocou-nos em contacto. Esta amiga comum considerou então, que eu e a Alda partilhávamos as mesmas ideias sobre educação infantil e juvenil. E, sobretudo, sobre aquilo que estamos a pedir aos nossos filhos. E, ainda, sobre aquilo que o nosso sistema de ensino faz às nossas crianças.

Desde logo, a empatia entre mim e a Alda foi mútua. Nessa altura eu ainda era Directora-Geral e Vice-Presidente de uma empresa, sem disponibilidade de tempo para acumular mais um projecto.

Mas a vida sabe quando é o tempo ideal para que as coisas aconteçam! E, no início deste ano de 2015, fez-se tempo para nos reencontrarmos. E eu, já sem as tarefas exigidas pela gestão diária empresarial, pude dar atenção genuína ao Projecto Mostra o Teu Herói.

O Mostra o Teu Herói é um Projecto Educativo, de desenvolvimento infantil e juvenil cuja missão é ajudar crianças e jovens a conhecerem-se, a conseguirem olhar para si com estima e carinho, a conseguirem olhar paras as suas dúvidas interiores e a conseguirem expressar o que sentem. Sem culpa. Sem receio de serem julgados. Sem medo de assumirem a sua singularidade.

E, para se assumir a nossa singularidade, é preciso coragem. E é preciso que nós, pais e educadores, consigamos expor aos nossos filhos, quem somos, também nós, sem medo. Assumindo a nossa humanidade. Por isso, fez-me todo o sentido convidar a Alda Couto para escrever todas as quinzenas, aqui, no Teresa Sem Medo. Um sítio, onde todos nós, grandes e pequenos, podemos também mostrar o nosso Herói. Um Herói tantas vezes anulado.

Sendo assim, quinzenalmente, à quarta-feira, terá aqui a Alda Couto, com as suas partilhas no âmbito do seu trabalho com crianças e jovens. Partilhas onde contará os seus desafios e concretizações no Mostra o Teu Herói.



Estou feliz com a Família que tenho?

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É feliz com a sua família? Sente-se acolhida e bem aceite no seu seio familiar? Este artigo vem na sequência de um conjunto de questões de auto-diagnóstico que fazem parte do artigo Sou Feliz? que saiu na edição de Fevereiro da revista Prevenir, e que pode ler também aqui no blog.



 Auto-Diagnóstico: Sou Feliz com a minha Família?


Na minha Família:

a) Sinto-me muito incompreendida e até abandonada, pela minha família.
Acho que nunca perceberam os meus desejos e o que me faz feliz.

b) A minha família é como todas: há momentos bons e momentos maus.
Sempre ignorei os maus momentos. Assim evito sofrer.

c) Empenho-me para que na minha família exista compreensão e abertura.
Há espaço para expressar sentimentos. Tenho especial atenção para que a culpa e a crítica não sejam usadas. Ao invés, motivo a expressão de carinho e amor entre todos.

A trabalhar: 
Não critique a sua família nem apoie ou promova ressentimentos. A nossa família é um sistema de diferentes pessoas, cada uma com a sua história individual.

Geralmente, vemos a família como solução para as nossas feridas e um apoio para as nossas contingências, falhas e medos. Esquecemo-nos, amiúde, que “eles” procuram o mesmo. Como nós, também querem ser entendidos, amados e que não os abandonem. Esta é a sabedoria emocional que deve usar para melhorar os seus relacionamentos familiares e sentir-se mais feliz.

A verdade é que todos sentem estar a fazer seu o melhor.

Trabalhe o amor e a aceitação, essenciais para a sobrevivência do “clã”, mesmo nas situações mais difíceis. Conceda a si mesma a oportunidade de abrir o seu coração e permita que os membros da sua família façam o mesmo.

Anule a crítica, a culpabilização e o ressentimento. 
Tente compreender o caminho que os membros da sua família escolheram. Esta atitude é a base da mudança que deseja ver. Talvez esteja nas suas mãos iniciá-la!

Serei Feliz?

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Capa da edição de Fevereiro 2015 da revista Prevenir FELICIDADE Para a alcançar, tem de acreditar na possibilidade de a encontrar e viver em função daquilo que sente e deseja, em vez de se regular pelo que os outros esperam de si.

Serei Feliz? 

Pergunta bem. A felicidade deve estar no topo das suas prioridades. Encontre a sua resposta em sete áreas-chave da sua vida e descubra o que precisa para a alcançar.


Felicidade, o que é afinal? 

Não sendo fácil defini-la existem algumas noções em torno do conceito que podem ajudar a encontrar a sua: a felicidade é um estado que inclui a conjugação simultânea de várias vertentes – a físico-biológica, a psico-emocional e a espiritual. É um sentimento, logo, é subjectiva – depende da interpretação de cada um face às circunstâncias.
Isto faz, por exemplo, com que existam pessoas que se sentem felizes por serem saudáveis e amadas e outras que, mesmo amadas e tendo saúde, se sentem infelizes. Precisam de “algo mais”.

Uma coisa é certa: a sensação pessoal de felicidade aumenta quando vivemos em função daquilo que sentimos que nos faz bem, ao invés de regularmos a nossa vida por aquilo que os outros acham ser o mais correto para nós.

A felicidade tende também a estar mais presente nas pessoas que acreditam na possibilidade de a alcançar. Ser honesta com aquilo que sente e deseja é um dos caminhos mais eficazes para ser feliz.

Ponha em prática esta atitude para responder às questões que se seguem e talvez encontre o caminho para a sua felicidade:

1. Para mim a felicidade é...?

2. Serei Feliz no Amor?

3. Sou Feliz no meu Trabalho?

4. E a minha Saúde?

5. Estou Feliz com a Família que tenho?

6. Qual é a minha relação com o Dinheiro?

7. Serei Feliz nas minhas Amizades e relacionamentos?

Clique nos links acima e encontre algumas Dicas para ajudar a responder a estas 7 questões e ajudar a ser mais Feliz nestas 7 áreas da sua vida.

Este artigo é a primeira parte de um artigo escrito por mim para a revista Prevenir e que foi publicado na edição de Fevereiro de 2015. A continuação está em cada uma das perguntas.

Mais magra ou mais "forte"?

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O Marketing define o valor de um produto de forma muito simples: o valor é aquilo que o consumidor diz que é. Neste sentido, o valor não é mensurável. Resulta da apreciação subjectiva de cada consumidor.

E o que se passa com a avaliação do valor das pessoas? Basicamente, o mesmo! O nosso valor resulta da avaliação (subjectiva) que os outros fazem de nós. Em geral, passamos a vida a tentar corresponder ao valor que os outros acham que temos. No entanto, lutar dia-a-dia para corresponder às expectativas dos outros desgasta-nos, cansa-nos, gera angústia em nós. Perdemos a noção de quem somos realmente: se nós, se a imagem reflectida de nós. 

Em resultado da percepção do outro, lutamos em permanência para sermos alguém de quem os outros gostem, que os outros apreciem, que os outros reconheçam, acabando por esquecer quem de facto somos, qual o nosso valor efectivo.

A angústia gerada por tentarmos corresponder ao que esperam de nós é ainda agudizada pelos objectivos que colocamos a nós próprias. Estamos sempre a esticar a fasquia! Queremos forçar as coisas a acontecerem, desejamos controlar tudo: nós, os outros, os acontecimentos, o tempo, a evolução natural do nosso corpo, a idade. E acabamos por nos concentrar muitas vezes naquilo que não temos, no que nos falta, no que não somos, no que não chega ou não é suficiente.

Num mundo que esgota a nossa identidade ao avaliar-nos pelo que fazemos, pela nossa beleza, a nossa riqueza ou a nossa pobreza, o nosso poder ou a nossa juventude, angustia-mo-nos ao vivermos em função daquilo que julgamos dever ser. Dizemos a nós próprios, “se eu fosse mais alto, mais jovem, mais magro, mais rico, mais comunicativo, mais feliz…”, estaria tudo bem.

Mas não estaria tudo bem. Bem, ficaremos quando tivermos carinho por quem somos, compreensão pelo que estamos a viver e respeito pelo que já fizemos.

Teresa Marta

Emoções e Matemática

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Há dias tive uma reunião na escola do meu filho e confesso que fiquei chocada. Custou-me ouvir aquela preocupação extrema dos pais relativamente às avaliações e às médias. Fiquei, até hoje, sem conseguir esquecer uma das questões colocadas: "Mas afinal, porque é que um suficiente e um bom não dá 4? Porque é que o Professor só deu 3?"

Esta, e outras perguntas idênticas, levam-me a questionar, o que estamos a pedir aos nossos filhos. Porque estamos tão focados nas médias, em medir tudo, como se cada criança fosse um número, uma catalogação? Como se não fosse um ser singular e único? Como se numa nota estivesse um destino?

Porque estamos tão preocupados com as notas e menos preocupados em pedir aos nossos filhos valores como a autenticidade e a humildade? Valores como o respeito pelo outro, a companhia, a amizade, a alegria, o sentido de humor?

Talvez não estejamos a conseguir ensinar-lhes a reagir de forma aberta, criativa e positiva aos acontecimentos inesperados e naturais que surgem ao longo da vida. Talvez não estejamos a conseguir motivá-los a expressar as suas opiniões, convicções e sentimentos, sem complexos, sem medo de serem avaliados e de serem medidos. Estaremos a trabalhar para que os nossos filhos acreditem incondicionalmente em si próprios?

Talvez fosse importante aprendermos a ser mais flexíveis com os objectivos que colocamos aos nossos filhos. A sentir cada acontecimento do percurso escolar, mesmo os maus, como uma oportunidade de melhorar. De perceber e entender que cada pessoa tem um percurso próprio, que os nossos filhos não são, nem nunca poderão ser, uma fotocópia de nós mesmos (nem dos nossos sucessos, nem dos nossos insucessos).

Não importa tanto a grandeza dos projectos, o valor das classificações, o quadro dos três melhores da escola. Importa muito mais fomentar a confiança em si próprio, a vontade de continuar, mesmo quando as coisas correm mal, de ter esperança no futuro, de aguentar firme mostrando que aconteça o que acontecer, há soluções.

E há que dar atenção ao amor incondicional. Não apenas o que sentimos pelos nossos filhos, mas o que motivamos os nossos filhos a sentirem por si próprios. Ensinando-os e motivando-os não a lutar para serem os melhores, mas a lutar contra todos os que limitem a sua coragem, a sua criatividade e a sua capacidade de sorrir. Contra todos os que ataquem a sua auto-estima. Por certo, desta forma, acabarão por ser os melhores! Em alguma coisa. Talvez naquilo que de facto os realiza e faz felizes como seres humanos.

Temos o dever de ajudar os nossos filhos a escolherem o seu próprio caminho, ao invés de os condicionar ao caminho que desejámos para nós. Temos o dever de nos preocuparmos menos em transformá-los em entidades produtivas. E de nos preocuparmos mais em que sejam pessoas felizes e equilibradas.

Teresa Marta

Nova autora no Teresa Sem Medo

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O Bolg Teresa sem Medo, terá, a partir de hoje, uma nova autora. A Dra. Carina da Silva, Psicóloga Clínica em Paris, especializada em Terapia Familiar e de Casais.

Partilho com a Carina, para além de uma gratificante amizade, o facto de ambas termos feito parte do nosso percurso académico no ISPA, Instituto Universitário. A Carina, na Licenciatura em Psicologia Clínica. Eu, no Mestrado em Relação de Ajuda - Psicoterapia Existencial. Mas não foi aqui que nos conhecemos.

O nosso encontro deu-se de facto no ISPA, mas num Curso de Empreendedorismo Feminino que ministrei e onde a Carina participou. Nessa altura era Psicóloga Clínica numa Câmara Municipal da Grande Lisboa.

Inconformada com a rotina e a falta de perspectivas de poder vir a trabalhar na área específica que sempre desejou – a Terapia de Casais e Familiar, a Carina teve a Coragem de deixar o seu emprego estável, seguro e remunerado a tempo e horas, pela procura de algo mais. De algo com significado, que lhe permitisse satisfazer o seu propósito maior. Foi assim que há dois anos deixou Portugal. E é assim que hoje desenvolve a sua actividade como Psicóloga Clínica, em Paris.

Admiro profundamente a Coragem desta mulher, que trocou a segurança do salário fixo pelo desejo de realizar o seu sonho. Ela praticou, de facto a Coragem: a Acção do Coração. E também por isso lhe dirigi o convite para que quinzenalmente estivesse aqui connosco a partilhar histórias reais no âmbito da terapia de casal e familiar. Histórias anónimas, que, tenho a certeza, nos ajudarão a todos.

Quando desenvolvi o Blog Teresa sem medo, sempre foi minha ideia contar com a colaboração de outros autores que nos possam trazer mais-valias e novas perspectivas sobre as temáticas abordadas. A Terapia de Casais e Familiar é um dos temas mais importantes na ajuda à resolução de problemas que as famílias enfrentam.

Mas não o poderia ter feito sem primeiro ter a certeza da utilidade deste meu / nosso Blog, e, sem falsas modéstias, do sucesso do mesmo.

Sendo assim, todas as quinzenas, à terça-feira, terá aqui a Dra. Carina Da Silva, com as suas partilhas no âmbito da Terapia de Casal e Familiar. Esta nossa Psicóloga Portuguesa em Paris, que, na Cidade Luz, "Être Avec Vous!".






Terapia da Gratidão

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A gratidão cura as nossas emoções e, através da cura emocional, curamos a nossa vida. Quanto mais gratidão sentimos, mais a nossa vida melhora.

Não se trata de nenhum passe de magia!
Trata-se, simplesmente, de uma mudança de percepção face àquilo que já temos. Ao elevarmos o nosso nível de gratidão aumentamos as emoções positivas que sentimos e começamos a focar-nos nos pontos positivos em detrimento dos aspectos negativos. Desta forma, praticar a gratidão significa passarmos a ter ainda mais coisas pelas quais nos sentimos gratas.

Nesta perspectiva, a gratidão é uma das maiores forças curativas que podemos usar na nossa vida. E tem grandes vantagens: a gratidão não depende do estatuto social, do valor do nosso salário, do cargo que ocupamos, de termos ou não um curso superior. A gratidão não depende das marcas que usamos, dos sítios onde passamos férias ou do carro que temos. A gratidão é um sentimento que temos (ou não temos), independentemente das nossas condições materiais, sociais ou educacionais.

No entanto, é difícil sentir gratidão. Porque temos de aprender a ser gratas, mesmo quando as coisas não correm bem. Mesmo quando a vida não corresponde àquilo que esperávamos. Raramente nos ensinaram o poder da gratidão, a olhar para as pequenas vitórias do dia-a-dia e para as coisas boas que já temos. Um simples duche quente no fim de um dia extenuante. Um abraço dos nossos filhos. O sorriso de alguém que se cruza connosco na rua. O nosso sofá, onde nos enroscamos numa tarde de chuva. Os amigos que nos telefonam para saber como estamos. O nosso carro, que “pega” de manhã. Temos tanto para agradecer a estas pequenas coisas que já temos e que damos como adquiridas, já não lhes prestando atenção.

Alguns dados da Psicologia Positiva

A gratidão é inata ao ser humano, embora apenas em 2001 a Psicologia Positiva lhe tenha começado a dirigir maior atenção em termos de estudo (McCullough). Concluiu-se, nomeadamente, a existência de uma relação positiva entre gratidão e bem-estar subjectivo da pessoa. Bem como entre a gratidão e a qualidade das nossas relações interpessoais.

A gratidão afecta de modo positivo a vida, as relações e o bem-estar dos sujeitos que a sentem e a praticam. É neste sentido que vão também os estudos de Seligman (2008), que conclui existir uma relação directa entre a prática da gratidão e a felicidade sentida pelo sujeito. De facto, a gratidão é uma emoção positiva que amplia o sentimento de bem-estar emocional. Uma emoção que, experienciada e praticada, transforma a nossa vida para melhor. Torna-nos mais criativos, mais resilientes, mais saudáveis, mais felizes e socialmente mais integrados (Fredrickson, 2004).


Porque tendemos a não sentir gratidão? 

Na exigência que impomos a nós mesmas, nunca nada é suficientemente glorioso, visível ou importante. Desvalorizamos as pequenas conquistas, que são passos gigantes para afirmar o nosso valor único e a nossa capacidade de ver para além do momento presente, para além das crises que enfrentamos. Desvalorizamos pequenos momentos que nos devolvem a capacidade de acreditar na vida, de acreditar na nossa força infinita para fazer a mudança. Ao desvalorizarmos o que já temos, por pouco que isso nos possa parecer, tudo se torna irrelevante. Começamos a achar que apenas somos felizes se tivermos mais ou se as coisas forem diferentes. Achamos que para estarmos gratas algo de extraordinário tem de acontecer: um aumento de salário, um carro novo, uma cura milagrosa das nossas dores emocionais, uma saúde de ferro, umas férias paradisíacas. Enquanto nos sentirmos incompletas, enquanto sentirmos que ainda não é suficiente, afastamos a gratidão e com ela a capacidade inata de valorizar “algos” tão simples como o facto de estarmos agora, aqui, a respirar.

Veja também:
Dicas para aumentar a gratidão
Exercícios para aumentar a gratidão




“Sábio é aquele que não chora pelas coisas que não possui,  mas rejubila com as que já tem.” 
- Epíteto


Teresa Marta

Emoções Negativas e Infertilidade

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A comunidade científica ainda não chegou a conclusões sobre a causalidade directa entre emoções negativas e infertilidade. Ou seja, será que emoções como o medo, a culpa, a insatisfação, a irritabilidade, a frustração, a vergonha, a raiva e a tristeza, influenciam o sucesso da mulher ao tentar engravidar?


De facto, embora ainda não tenhamos a possibilidade de confirmar a causalidade directa entre emoções negativas e infertilidade, sabemos, por outro lado, que estas emoções prejudicam o nosso bem-estar emocional, a nossa auto-estima, aquilo que acreditamos sobre nós mesmas, aquilo que julgamos conseguir, o que achamos que merecemos, a nossa capacidade de resistência, a nossa imunidade e, até, a nossa saúde.


Todas as emoções são naturais no ser humano. Todas elas têm uma função. No entanto, quando as emoções negativas persistem e se tornam um standard, passam a ser tóxicas! Intoxicam o nosso cérebro e enchem o nosso organismo de pressão, angústia, stress, ansiedade e até depressão! Sabemos também que as emoções tóxicas, sentidas em permanência, geram sentimentos negativos. Por essa razão, a Psicologia assume que as emoções negativas acabam por nos fazer adoecer! António Damásio, Neurocientista, fala inclusive numa “fisiologia das emoções”, isto é, as emoções passam a sentimentos (“sentir no corpo”) a ponto de, experimentadas repetidamente, nos adoecerem.


Esta “biologia das emoções negativas”, sentidas no corpo, podem pois condicionar de forma negativa a fertilidade. São factores psicológicos, na maioria das vezes inconscientes, mas muito limitadores. Estes factores podem explicar, por exemplo, inúmeras situações de casais que sofrem de infertilidade, sem razão física aparente ou declarada. Está tudo bem com a biologia, no entanto, a gravidez não acontece.


Ou seja, na base da infertilidade podem não estar factores biológicos ou orgânicos, mas factores emocionais que o nosso organismo somatiza. A ciência alerta-nos, por exemplo, para factores como o stress e a ansiedade, apontando-lhes a causa da disfunção das funções cerebrais do hipotálamo, o que acaba por alterar a ovulação. Neste mesmo sentido, sabe-se também que o stress altera as funções imunológicas das nossas células reflectindo-se na função reprodutiva da mulher.

Como tal, se está a tentar engravidar sem sucesso, antes de aceitar um diagnóstico de infertilidade ou achar que algo de errado se passa consigo, foque-se nas suas emoções, nos seus sentimentos e nos alertas que o seu corpo lhe está a dar.

A cura consciente das emoções é uma base muito, muito, importante no seu caminho para conseguir engravidar. Quando uma mulher aprende a modular o seu stress com eficácia, a sua fertilidade pode alterar-se! Para melhor.

Não deixe que as emoções negativas a derrotem, na vida que tanto deseja criar!


Teresa Marta

Medo de não ser feliz no casamento

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O medo de ser infeliz no casamento, e nos relacionamentos amorosos em geral, é muito comum mas raramente o enfrentamos com assertividade. Sentimos uma espécie de obrigação para seguirmos modelos sociais e familiares que nos disseram serem "os certos". Esses modelos, podem até evitar que entremos em conflito com os outros, mas, a longo prazo, não nos dão a felicidade que desejamos.

O medo de ter um casamento infeliz é mais frequente em mulheres do que nos homens e costuma ser comum em pessoas que cresceram em famílias cujos pais não tiveram casamentos felizes. No entanto, o oposto é também verdade: pode ocorrer em pessoas cujos pais foram felizes nos seus casamentos fazendo sentir aos filhos uma responsabilidade acrescida para alcançarem o mesmo.

O medo de ter relacionamentos amorosos infelizes é também comum em mulheres pouco seguras de si e com dificuldade em expressar o que sentem. Por outro lado, trata-se de um medo comum em pessoas que têm dificuldade em dizer "não" e em ser assertivas no que se refere a dizer o que esperam do outro. É como se esperassem que o companheiro conseguisse adivinhar o que sentem. Finalmente, mulheres muito perfeccionistas, muito exigentes consigo próprias e com os outros, são também potencialmente mais "atacadas" por este medo.

Erros a Evitar: Se sentir este medo deve deixar de tentar provar ao mundo que o seu casamento é forte e não passa por crises! Se a incomodam muito o julgamento dos outros, pense se não estará a sabotar o seu valor próprio, quando assume como verdadeiras as percepções que fazem de si.

Como neutralizar este medo no imediato?
Para neutralizar este medo, comece por mudar o seu diálogo interior, adoptando pensamentos como: “Eu não tenho de provar nada a ninguém e não deixo que o julgamento dos outros interfira no meu casamento/relação!”. “Deixo ir o passado e as situações que me magoaram!”. “Eu acredito na boa-fé e na integridade do meu marido/companheiro. Consigo expressar-lhe do que tenho medo e o que me deixa insegura. Confio que isso leva ao nosso crescimento conjunto!”

Estratégias a longo prazo:
Manter uma preocupação genuína relativa ao bem-estar do companheiro e ao que este necessita para ser feliz. Esteja consciente de que as pessoas vão mudando ao longo da vida e que isso poderá exigir algumas adaptações da sua parte. Ganhe o hábito de se olhar e perceber em que é que se sente mudada. Peça feedback ao seu parceiro e tentem perceber as compatibilidades e os pontos fracos das mudanças mútuas para que nada aconteça “de repente” ou “por acaso”.

Exercício prático:
Aceite-se como é e aceite o outro como ele também é. Evite o stress emocional de desejar modificar o outro! Se sente essa necessidade em permanência, reveja as razões que a levaram a casar com essa pessoa! Ou a ter um relacionamento amoroso com ela. Verifique se essas razões permanecem válidas e reavalie a situação em conjunto. Verifique se o seu casamento está ligado pelo amor, pela necessidade ou pelo medo da solidão. Se existir amor no seu casamento, tudo o resto será ultrapassado.

Mas o exercício, esse, é seu!

Teresa Marta

A lição da Pequenina Margarida

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Depois de 20 dias a lutar pela vida, num hospital do Dubai, a mais de 8 mil km de casa, a Pequenina Margarida resolveu ir descansar. Retirou-se da vida para grande tristeza de todos nós, que seguimos a sua história à distância, dia após dia. 

A Pequenina Margarida veio recordar-nos que a vida nos é dada e que, por vezes, nós precisamos descansar dela. Porque ainda não estamos prontos. Ainda não é o nosso momento. E (permitam-me que o diga), a nossa Alma sabe! Sabe que o momento não é ainda este. Talvez a Pequenina Margarida, desde início, o soubesse! 

Talvez a Margarida soubesse o que significa o peso enorme que é estar num sítio em tempo precoce. E num espaço agreste, onde o carinho da pele, o cheiro da loba mãe, da matilha, do abraço e do colo do ventre fazem tanta falta. Talvez a Pequenina Margarida se tenha recusado a esperar. Era longo esse tempo. Essa espera. Um tempo longo. E Ela ainda não sabia, o valor do tempo. Não podia saber! 

A Pequenina Margarida deixou um vazio em todos os que acreditámos nessa esperança imensa que era a de ver mais um dia vencido. Mas ensinou-nos também a grande lição de que a vida precisa destes guerreiros que nos mostram o valor da persistência. Seja onde for que essa persistência nos leve. Porque, para a persistência, não interessa a quantidade. Interessa a entrega com que fazemos o caminho. 

Obrigada Pequenina, Grande Margarida! 

Teresa Marta

O Poder do Elogio

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O elogio é fundamental na formação da nossa personalidade pois condiciona a forma como vemos o mundo e como lhe reagimos. Condiciona a forma como conseguimos reagir ao que nos acontece de mau, e, inclusive, como reagimos ao que nos acontece de bom! Por exemplo, um adulto que tenha sido carente de elogio na infância, geralmente, não consegue valorizar os seus sucessos. Passa pelas suas vitórias como algo que era sua obrigação conseguir!

Elogie as crianças
A falta de elogio na infância origina, geralmente, adultos inseguros, com receio de arriscar, com medo de dizerem o que sentem, com receio de serem ridicularizados e menosprezados. Adultos com uma baixa auto-estima e com uma baixa noção de auto-valor e de auto-merecimento. Crescer sem elogios condiciona o nosso comportamento em sociedade e em família, comportamento que resulta dos sentimentos que fomos assumindo sobre nós mesmos como sendo verdadeiros. Na sua base, o elogio, condiciona o nosso auto-conceito: aquilo que acreditamos que somos.
Elogie-se a si própria! 
Auto-elogiar-nos, em adultos, mesmo quando os outros não o fazem, é pois extremamente importante pois reflecte o modo como nos tratamos e revela muito sobre a nossa auto-estima e a forma como nos vemos. Começamos a ganhar qualidade de vida quando aprendemos a elogiar-nos. Nesse sentido, o elogio é também uma forma de cuidamos de nós, de nos estimarmos e de nos darmos importância. No entanto, um adulto terá dificuldade em auto-elogiar-se se não foi habituado, desde cedo, a receber elogios. Bem como, terá também dificuldade em elogiar os outros.
Teresa Marta

Libertar o que nos faz mal

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Tive a sorte de crescer no campo. E a essa sorte juntei a de ser filha única de um pai que gostaria de ter tido um filho. Bem cedo, o meu pai cativou-me para as coisas mais comuns que naquela altura os rapazes faziam. Os rapazes que cresciam no campo, claro. Como tal, logo me afastei das tarefas domésticas que, aliás, sempre achei enfadonhas.

Embora o meu pai não fosse agricultor, aprendi com ele os segredos de tarefas agrícolas. Entre elas, sempre fui apaixonada pela época de podar a vinha e as árvores de fruto. Ficava vidrada naquela destreza de cortar troncos pelo sítio certo. Pelo local ideal. No início fazia-me impressão ver a terra coberta de galhos sem vida. Imensos troncos deitados fora! Parecia que o meu pai mutilava as árvores. Mas, mais tarde, nasciam os rebentos novos, as primeiras folhas, as primeiras flores e os esperados frutos. E toda aquela tarefa de deitar fora troncos e galhos fazia sentido.

Se é muito pesado, deixe ir!


O que é que a poda tem a ver com bem-estar existencial? Com paz e felicidade? Acho que tem tudo! Quando podamos uma árvore estamos a eliminar matéria que já não faz falta à árvore. Que já não contribui para o seu crescimento harmonioso, que já não a faz dar os melhores frutos. Estamos a libertar a árvore do peso que não a permite prosperar.


Connosco passa-se exactamente o mesmo! De quando em vez, é necessário libertarmos o que já não serve o nosso propósito, o que nos impede de crescer, o que nos torna tristes e que nos rouba energia.  Isto, significa deixar ir coisas, pessoas e situações que sabemos já não servirem para nada a não ser para nos mostrar que sem elas seríamos mais felizes. Em termos existenciais, libertarmos estes “troncos velhos” da nossa vida significa respeitar a nossa Singularidade e tomar consciência das nossas prioridades e daquilo que realmente é importante para nos sentirmos equilibrados.

Teresa Marta


DICAS PARA LIBERTAR O QUE LHE FAZ MAL:
Clique nos títulos abaixo para seguir o link e explorar as Dicas listadas:



Objectivos e Emoções

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Degraus
Quando eu era gestora corria compulsivamente atrás de objectivos. Meta após meta, vivia cada dia como uma grande parede que haveria de escalar rumo ao sucesso, mesmo que isso significasse não ter vida própria. Trabalhava desenfreadamente para melhorar a minha performance e as metas que impunha a mim mesma. E, para o pior ou para o melhor, conseguia-o!

Emoções? Afectos?
Isso era algo menor que deixava à porta da empresa.
Não digo que fosse simples. Mas era fazível. Nessa altura, o meu pensamento recorrente era: “Eu aguento!, Isto até é fácil. Tenho sempre conseguido. Por isso, vou conseguir novamente. Mais esta vez. Só mais esta vez. No próximo ano tiro férias! Dois meses de férias!”

E aguentei, é certo, à custa da minha própria vida pessoal, sempre em segundo plano. À conta da minha saúde e, por vezes, sacrificando os meus afectos. Muitas vezes, até!
Hoje, sempre que ouço alguém dizer “Só mais esta vez. Vou ficar mais um bocadinho a trabalhar para o objectivo!”, penso naquela Teresa que, não sabendo parar, raramente sentia. E de repente dei por mim a questionar tudo à minha volta e tudo o que existia em mim. O tempo que não tinha. A vida onde estava e que já não queria! A vida que já não me dizia nada!

Aprendi à minha custa que as coisas mais importantes não estão no final do percurso, mas naquilo que encontramos enquanto o fazemos.

Permita-se admitir e sentir as suas emoções. Permita-se deixar ir alguns objectivos que só nos aprisionam num ciclo vicioso de vitórias. Um ciclo vicioso, onde o nosso crescimento pessoal é diminuto.


Teresa Marta

Coragem para Entrar na Dor e Sair Reforçada

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Acho que a Coragem só se conquista depois de experimentarmos a dor. É duro isto que digo. Talvez até desmotivante. Mas é a verdade. Dor. Sentida. Vivida. Plasmada em nós. Dor que senti tantas vezes. No meu percurso. Na minha vida. E às vezes. Tantas vezes. Tantas. Uma dor experimentada. Tantas vezes, repetidamente.

Só na multidão

A dor emocional é uma das nossas maiores aprendizagens. Senti-la. Deixá-la avassalar-nos, se assim tiver de ser. E tantas vezes, comigo, teve de ser. E tantas vezes me isolei pensando que assim sentia menos. E tantas vezes parti anónima. Entre a multidão da grande cidade. Querendo confundir-me. Desesperadamente. Querendo que a minha dor, misturada com a dor de outros rostos, não fosse mais que apenas isso. Uma dor qualquer. De uma mulher qualquer. Como tantas outras. Uma dor anónima. De uma mulher anónima. Uma dor, por isso, desvalorizável.

Percebo hoje que a nossa maior restrição ao prazer e à alegria é termos medo de sentir dor. Sentir dor em nós. No nosso Self. Na nossa mente. No nosso Coração. No nosso estômago. No nosso sono. Na nossa Alma.

Sei hoje, que só perdendo o medo de sentir, posso sentir. Sentir que, qualquer que seja a questão, qualquer que seja o resultado, estarei cá. Preparada.

Mesmo que chore. Mesmo que angustiada. Mesmo que com medo. Mergulho nisso tudo. Consciente que só dessa forma estarei cá amanhã. Novamente. Para tudo o que a Vida me reserve. Para abraçar essa "insustentável leveza do ser", que nos caracteriza. E que tanto tentamos anular.

Teresa Marta

A Importância do Desapego para a Felicidade

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“Após a minha rápida e brilhante ascensão profissional, que me levou ao topo das grandes hierarquias, percebi que afinal não tinha nada. Exteriormente, tinha tudo o que sonhara ter, mas não sentia nada dentro de mim. À noite, deitava-me imerso nos meus pensamentos de como alcançar novos objectivos e de como conseguir que o meu nome ficasse impresso nos livros de gestão.

Até a minha mulher contribuía para reforçar o meu estilo de vida. No entanto, aos poucos, deixou de me pedir explicações por atrasos ou ausências, de me pedir que a acompanhasse às compras, ao cinema ou ao médico. Deixou de falar-me do seu dia e tão pouco se continuou a preocupar com a escolha da minha gravata.

Após um duro divórcio, impus-me uma pausa de um ano onde acabei por concluir que não fizera nada de grandioso. Para ser sincero acho que nunca criei ou inventei nada de extraordinário. Estive amarrado à ideia de que era alguém muito importante. Às vezes questiono-me se valeu a pena ter ficado preso à condição de fazer tudo para ter sempre mais.”

Pratique-o-Desapego Teresa Sem medo-300x199Trabalhando em Relação de Ajuda, confronto-me muitas vezes com descrições como esta. Na exigência que impomos a nós mesmos, nunca nada é suficientemente glorioso, visível ou importante. Desvalorizamos as pequenas conquistas, que são passos gigantes para afirmar o nosso valor, a nossa capacidade de ver para além do momento presente, para além das crises que enfrentamos. Pequenos momentos, que nos devolvem a capacidade de acreditar na vida, de acreditar na nossa força infinita para fazer a mudança.

Vivemos agarrados a pesados fardos relacionados com a necessidade de ter mais, produzir mais, ganhar mais, sermos mais considerados. Este peso, carregado diariamente, pode levar-nos a níveis de stress e a situações muito angustiantes e ansiosas.

Teresa Marta
DICAS PARA PRATICAR O DESAPEGO E SER MAIS FELIZ:

Faça uma lista daquilo que já não o faz feliz
Desligue-se do peso das expectativas que criaram sobre si
Desconfie do sentimento que lhe diz: “Já não é suficiente!”
Deixe-se ir
Preocupe-se apenas com o que consegue controlar