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Praticar o Desapego

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O desapego é uma atitude e resulta da nossa capacidade para ultrapassar o medo da insegurança e da carência. Carência financeira, mas também carência relativa a objectos e bens materiais, pessoas, relacionamentos, empregos, crenças e até a imagem que construímos sobre nós (carência de estima pessoal). Estamos a praticar o desapego quando conseguimos fluir pela vida, independentemente desta nos estar a oferecer aquilo que desejamos ou a levar-nos para o desconforto da insegurança.


“Desapegar” é desconfortável pois obriga a contactar com aquilo que nos dói.

Faz com que o nosso Self “contacte” com o nascimento: o momento de desprendimento mais difícil pelo qual passámos. Embora não tenhamos consciência disso, o nascimento é o nosso momento originário de desapego. Um desapego imposto, que nos obriga a deixar o conforto uterino em segundos. A deixar ir o cordão umbilical que nos acompanhou desde a primeira célula e a abandonar a nossa respiração (sobrevivência) uterina para a substituir, em instantes, por uma nova forma de respirar.

Praticar o desapego significa ter a coragem para deixar ir. Deixar partir. Ter coragem para nos rendermos. Significa perceber que persistir “amarrado” traz-nos mais dor emocional, mais peso no dia-a-dia, mais stress, menos auto-estima, menos saúde e menos alegria. Desapegar significa deixar ir o perfeccionismo, o medo de falhar e preocupações de tipo “e se?” ou “como vou conseguir?”. E também ter a capacidade de nos desligarmos das expectativas e dos objectivos que perspectivaram para nós.

Desapegar é, no entanto, muito difícil.
Desde logo, porque temos consciência de que podemos estar a sair para o nada, a deixar algo para entrar no vazio. Este processo gera a sensação interna de que podemos fracassar. E com essa sensação, o medo. E com ele a vontade de ficarmos imóveis. De ficarmos presas à nossa zona de conforto.

Vantagens de praticar o desapego 

Praticar o desapego não significa ser irresponsável. Ao contrário significa ter a capacidade para perceber o que já não nos faz felizes, o que já não contribui para o nosso crescimento e agir em conformidade com esses inputs.

São várias as vantagens de praticar o desapego. Eis algumas:

  • Ter uma vida mais leve, menos exigente
  • Aumentar a liberdade pessoal
  • Viver em função do nosso propósito de vida 
  • Ter mais tempo para nós e para a família
  • Viver com menos stress 
  • Fazer, cada vez mais, o que gostamos
  • Dormir melhor
  • Ser mais alegre 
  • Afastar pessoas tóxicas 
  • Dizer o que pensamos sem medo
  • Diminuir a culpa 
  • Retirar o peso do perfeccionismo 
  • Viver feliz com menos bens materiais
  • Aumentar a auto-estima e a percepção do valor pessoal
  • Aumentar a auto-aceitação e o auto respeito
  • Viver cada vez menos em função do que parece bem aos outros
  • Sair da prisão das circunstâncias do passado

Como praticar o desapego?

O desapego é uma capacidade emocional que se aprende. Para nos desapegarmos temos de estar conscientes de que aquilo que nos prende está fora de nós (pessoas, objectos, condições de vida, relacionamentos…).

Treine o desapego: Veja o artigo das Dicas para Praticar o Desapego aqui:
http://teresasemmedo.blogspot.com/2015/06/dicas-praticar-o-desapego.html

 A que devemos, então, apegar-nos? 


  • Pessoas positivas e construtivas
  • Família e amigos
  • Pensamentos positivos
  • Pequenas conquistas do dia a dia
  • À capacidade de relativizar e de ver para além do problema presente
  • À capacidade de acreditar na vida
  • À nossa força infinita para mudar e de recomeçar
  • Ao agora, ao Presente
  • Ao reforço do nosso sentimento de merecimento
  • A um local de conforto onde nos sintamos seguros
  • À nossa capacidade inata e infinita de mudança
  • A todos os obstáculos que já conseguimos ultrapassar
  • A tudo o que já temos e que nos esquecemos de agradecer
  • À nossa verdade interior


Este artigo foi originalmente escrito por mim para a revista Prevenir e foi publicado na edição de Maio 2015.


Teresa Marta

Nervos à flor da pele

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Ana tem 42 anos, é casada há 12 anos, tem uma filha com 8 anos de idade e trabalha numa loja de roupa. Quando veio à consulta disse-me: “decidi vir a esta consulta mas nem sei bem se preciso porque na minha infância não tive nenhum problema e até penso que tenho uma vida boa. Mas sou muito nervosa. Falaram-me destas consultas e decidi experimentar.”

Passadas algumas sessões, compreendemos que as preocupações da Ana se centravam no seu mal estar e na relação com o seu marido (João).

Ana diz que se enerva com facilidade com o marido: “implico muito com ele por coisas sem importância, grito muito e às vezes descontrolo-me ao ponto de partir loiça! Depois sinto-me muito mal comigo mesma. O João é muito bom para mim, toda a gente o aprecia e até me dizem que tenho sorte de o ter como marido. Sempre fui muito nervosa, mas gostaria de ser mais calma.”

Com o objectivo de compreendermos se o comportamento de Ana com o seu marido tinha sido sempre assim ou se tinha começado a partir de um determinado momento, Ana recorda: “quando vivíamos na casa da minha mãe, a relação com o João era diferente. Saíamos e convivíamos mais. Depois a Maria nasceu e começámos a construir a nossa casa.”

Posteriormente, Ana partilhou o facto de não ter relações íntimas regularmente com o marido. Isto, por um lado preocupa-a porque teme a traição, ainda que confie na fidelidade do marido; por outro lado frustra-a porque gostaria de voltar a ter satisfação na sua vida conjugal. Assim, e não se tratando de um problema de saúde, procurámos perceber esta mudança de comportamento conjugal e em simultâneo encontrar formas de o ultrapassar.

Às vezes, as pessoas encontram-se em situações de sofrimento, mas porque não encontram um acontecimento de vida que o justifique, não se permitem procurar ajuda.

Se pretende seguir a história da Ana não perca a próxima crónica!

Carina Silva
Psicóloga Clínica

Problemas de Amor

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Problemas de amor - a história de João

Quando chegou à primeira consulta João disse: "não sei o que fazer, não consigo controlar-me. Desde que a minha namorada partiu em viagem, por motivos profissionais, sinto-me desorientado. O comportamento dela mudou. Envio-lhe mensagens e ela não me responde logo. Às vezes vejo que está online no WhatsApp e não me responde. Ela diz que me ama mas já não sei se hei-de acreditar".

João criava múltiplos cenários para explicar o comportamento da namorada e tentar saber se ela ainda o amava. Isto deixava-o esgotado, tinha dificuldade em dormir, perdeu o apetite e andava sempre muito nervoso.

Em poucas sessões de terapia, João aprendeu a usar a respiração para o ajudar a regular as suas emoções, para ficar mais tranquilo e, desse modo, poder focalizar-se mais em si próprio e no que sentia. 


Percebemos que João teve uma infância feliz, mas, na adolescência o pai considerava-o muito frágil para participar em tarefas que exigiam maior esforço físico. Esta atitude do pai, numa idade extremamente sensível para a formação da sua auto-imagem, contribuiu para a construção de uma ideia negativa de si próprio. 

João foi compreendendo porque escolhera ser personal trainer. Esta profissão permitia-lhe tentar ultrapassar a insegurança que sentia em si próprio. Tomou consciência do seu pensamento que lhe dizia que, ter um corpo forte o faria sentir muito mais seguro. Além disso, tomou também consciência que todas as suas ex-namoradas, à semelhança da actual, eram mulheres extremamente bonitas e que, através da relação com elas era como se sentisse também bonito, forte e confiante. Assim, quando a relação ficava ameaçada, era como se o próprio João ficasse em risco. 

Actualmente, João tem uma namorada que o respeita e está verdadeiramente interessada nele. Mas precisou encontrar a segurança em si mesmo, independentemente do comportamento da namorada. 

Muitas vezes, os problemas dos relacionamentos amorosos escondem problemas de amor-próprio e de auto-estima, colocando no centro a questão de saber se o outro nos ama ou não, ao invés de nos focarmos em sentir se a relação nos faz ou não felizes.

Carina Silva
Psicóloga Clínica

Nova autora no Teresa Sem Medo

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O Bolg Teresa sem Medo, terá, a partir de hoje, uma nova autora. A Dra. Carina da Silva, Psicóloga Clínica em Paris, especializada em Terapia Familiar e de Casais.

Partilho com a Carina, para além de uma gratificante amizade, o facto de ambas termos feito parte do nosso percurso académico no ISPA, Instituto Universitário. A Carina, na Licenciatura em Psicologia Clínica. Eu, no Mestrado em Relação de Ajuda - Psicoterapia Existencial. Mas não foi aqui que nos conhecemos.

O nosso encontro deu-se de facto no ISPA, mas num Curso de Empreendedorismo Feminino que ministrei e onde a Carina participou. Nessa altura era Psicóloga Clínica numa Câmara Municipal da Grande Lisboa.

Inconformada com a rotina e a falta de perspectivas de poder vir a trabalhar na área específica que sempre desejou – a Terapia de Casais e Familiar, a Carina teve a Coragem de deixar o seu emprego estável, seguro e remunerado a tempo e horas, pela procura de algo mais. De algo com significado, que lhe permitisse satisfazer o seu propósito maior. Foi assim que há dois anos deixou Portugal. E é assim que hoje desenvolve a sua actividade como Psicóloga Clínica, em Paris.

Admiro profundamente a Coragem desta mulher, que trocou a segurança do salário fixo pelo desejo de realizar o seu sonho. Ela praticou, de facto a Coragem: a Acção do Coração. E também por isso lhe dirigi o convite para que quinzenalmente estivesse aqui connosco a partilhar histórias reais no âmbito da terapia de casal e familiar. Histórias anónimas, que, tenho a certeza, nos ajudarão a todos.

Quando desenvolvi o Blog Teresa sem medo, sempre foi minha ideia contar com a colaboração de outros autores que nos possam trazer mais-valias e novas perspectivas sobre as temáticas abordadas. A Terapia de Casais e Familiar é um dos temas mais importantes na ajuda à resolução de problemas que as famílias enfrentam.

Mas não o poderia ter feito sem primeiro ter a certeza da utilidade deste meu / nosso Blog, e, sem falsas modéstias, do sucesso do mesmo.

Sendo assim, todas as quinzenas, à terça-feira, terá aqui a Dra. Carina Da Silva, com as suas partilhas no âmbito da Terapia de Casal e Familiar. Esta nossa Psicóloga Portuguesa em Paris, que, na Cidade Luz, "Être Avec Vous!".






O medo dói

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Costumo dizer aos meus coachies que o medo depende muito da forma como criamos a "história". O medo depende, de facto, da forma como interpretamos o que nos acontece. E mais: o medo depende da forma como imaginamos aquilo que nos pode vir a acontecer, muito antes do acontecimento. 

Como tal, criamos cenários com base na nossa imaginação. Cenários, que têm por base aquilo que já vivemos, mas também aquilo que os outros nos dizem que viveram e aquilo que ouvimos dizer a pessoas que nem conhecemos. 

Lembro-me, por exemplo, que quando estava grávida deixei de ouvir seja que história fosse sobre a experiência do parto! Eu já temia o parto. Eu desejava ter um parto natural, que tudo corresse bem. Mas de cada vez que me viam a ficar mais barriguda, mais os cenários surgiam como algo potencialmente perigoso. Até que decidi deixar de ouvir. Cheguei até a ser mal interpretada por isso. Mas o parto seria o meu. O corpo seria o meu e a mente seria a minha. Como tal, eu queria criar a minha história feliz. Com os meus ingredientes de felicidade. E foi assim que fiz. 

Isto acontece com as grávidas, mas também em situações como um simples exame de condução. Uma ida às finanças prestar informações sobre o IRS ou um convite do médico para que voltemos à consulta antes do tempo que prevíamos. O medo começa logo a funcionar. E, na grande maioria das vezes, os culpados somos nós. Começamos por contar à família que fomos chamados para ir às finanças. E aí começa a grande caminhada do medo. Contam-nos logo imensos cenários (o mais realistas possível) de coisas que já viveram relativas às finanças, de outras que ouviram e de outras ainda, que são os clichés: "das finanças nunca vem nada de bom!". E pronto, quando chegamos ao dia de irmos ao balcão o céu está a desabar sobre nós!  

Num outro cenário, menos catastrófico, estão as pessoas que nos tentam ajudar. Estas, gostam muito de usar expressões como: "O teu medo não tem qualquer sentido" ou "Ter medo não te ajuda nada!". 

Se quer ajudar alguém que sente medo...
Não desvalorize o medo do outro. Quem tem medo sente-o! O medo dói! O medo angustia! O medo faz-nos ter ainda mais medo. Ninguém tem medo por prazer. Por isso, ao invés de desvalorizar o medo do outro, tente perceber porque ele se sente assim. E se nada puder fazer abrace. Dê colo. Esteja presente. "Apenas" isso. 

Teresa Marta

Palavras não ditas

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Temos tendência a ser muito preocupados com aquilo que dizemos. De que forma, aquilo que dizemos afecta o outro? Que impacte tem, na imagem que o outro faz de nós? Como é que aquilo que dizemos está (ou não) à altura da forma como desejamos que o outro nos veja?

Sempre que temos uma ocasião importante, como uma entrevista de emprego, um declaração de amor para fazer ou um “puxão de orelhas” para dar, costumamos imaginar as palavras que vamos usar e “por onde vamos começar”. Sim. Tudo o que dizemos é muito importante. E pode alterar a imagem que os outros têm de nós, o valor que nos atribuem e as oportunidades que nos oferecem.


No entanto, tão ou mais importante que as palavras ditas, são as palavras que não dizemos. Sempre que nos inibimos de dizer o que sentimos, no momento em que sentimos, com a força que sentimos, adiamos a nossa vida. Condicionamos o fluxo dos acontecimentos. Colocamos mais stress em nós. Apertamos a nossa garganta e engolimos a nossa própria vontade.



Sempre que deixamos de dizer o que sentimos, estamos a matar-nos por dentro. Ficamos irritados connosco próprios. Desacreditamos de nós. Engolimos o que não queremos. Entregamos a nossa felicidade ao “bandido”! As palavras que não dizemos são a vida que não temos.

Se é para dizer, diga!

Teresa Marta

Emoções Negativas e Infertilidade

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A comunidade científica ainda não chegou a conclusões sobre a causalidade directa entre emoções negativas e infertilidade. Ou seja, será que emoções como o medo, a culpa, a insatisfação, a irritabilidade, a frustração, a vergonha, a raiva e a tristeza, influenciam o sucesso da mulher ao tentar engravidar?


De facto, embora ainda não tenhamos a possibilidade de confirmar a causalidade directa entre emoções negativas e infertilidade, sabemos, por outro lado, que estas emoções prejudicam o nosso bem-estar emocional, a nossa auto-estima, aquilo que acreditamos sobre nós mesmas, aquilo que julgamos conseguir, o que achamos que merecemos, a nossa capacidade de resistência, a nossa imunidade e, até, a nossa saúde.


Todas as emoções são naturais no ser humano. Todas elas têm uma função. No entanto, quando as emoções negativas persistem e se tornam um standard, passam a ser tóxicas! Intoxicam o nosso cérebro e enchem o nosso organismo de pressão, angústia, stress, ansiedade e até depressão! Sabemos também que as emoções tóxicas, sentidas em permanência, geram sentimentos negativos. Por essa razão, a Psicologia assume que as emoções negativas acabam por nos fazer adoecer! António Damásio, Neurocientista, fala inclusive numa “fisiologia das emoções”, isto é, as emoções passam a sentimentos (“sentir no corpo”) a ponto de, experimentadas repetidamente, nos adoecerem.


Esta “biologia das emoções negativas”, sentidas no corpo, podem pois condicionar de forma negativa a fertilidade. São factores psicológicos, na maioria das vezes inconscientes, mas muito limitadores. Estes factores podem explicar, por exemplo, inúmeras situações de casais que sofrem de infertilidade, sem razão física aparente ou declarada. Está tudo bem com a biologia, no entanto, a gravidez não acontece.


Ou seja, na base da infertilidade podem não estar factores biológicos ou orgânicos, mas factores emocionais que o nosso organismo somatiza. A ciência alerta-nos, por exemplo, para factores como o stress e a ansiedade, apontando-lhes a causa da disfunção das funções cerebrais do hipotálamo, o que acaba por alterar a ovulação. Neste mesmo sentido, sabe-se também que o stress altera as funções imunológicas das nossas células reflectindo-se na função reprodutiva da mulher.

Como tal, se está a tentar engravidar sem sucesso, antes de aceitar um diagnóstico de infertilidade ou achar que algo de errado se passa consigo, foque-se nas suas emoções, nos seus sentimentos e nos alertas que o seu corpo lhe está a dar.

A cura consciente das emoções é uma base muito, muito, importante no seu caminho para conseguir engravidar. Quando uma mulher aprende a modular o seu stress com eficácia, a sua fertilidade pode alterar-se! Para melhor.

Não deixe que as emoções negativas a derrotem, na vida que tanto deseja criar!


Teresa Marta

Medo de não ser feliz no casamento

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O medo de ser infeliz no casamento, e nos relacionamentos amorosos em geral, é muito comum mas raramente o enfrentamos com assertividade. Sentimos uma espécie de obrigação para seguirmos modelos sociais e familiares que nos disseram serem "os certos". Esses modelos, podem até evitar que entremos em conflito com os outros, mas, a longo prazo, não nos dão a felicidade que desejamos.

O medo de ter um casamento infeliz é mais frequente em mulheres do que nos homens e costuma ser comum em pessoas que cresceram em famílias cujos pais não tiveram casamentos felizes. No entanto, o oposto é também verdade: pode ocorrer em pessoas cujos pais foram felizes nos seus casamentos fazendo sentir aos filhos uma responsabilidade acrescida para alcançarem o mesmo.

O medo de ter relacionamentos amorosos infelizes é também comum em mulheres pouco seguras de si e com dificuldade em expressar o que sentem. Por outro lado, trata-se de um medo comum em pessoas que têm dificuldade em dizer "não" e em ser assertivas no que se refere a dizer o que esperam do outro. É como se esperassem que o companheiro conseguisse adivinhar o que sentem. Finalmente, mulheres muito perfeccionistas, muito exigentes consigo próprias e com os outros, são também potencialmente mais "atacadas" por este medo.

Erros a Evitar: Se sentir este medo deve deixar de tentar provar ao mundo que o seu casamento é forte e não passa por crises! Se a incomodam muito o julgamento dos outros, pense se não estará a sabotar o seu valor próprio, quando assume como verdadeiras as percepções que fazem de si.

Como neutralizar este medo no imediato?
Para neutralizar este medo, comece por mudar o seu diálogo interior, adoptando pensamentos como: “Eu não tenho de provar nada a ninguém e não deixo que o julgamento dos outros interfira no meu casamento/relação!”. “Deixo ir o passado e as situações que me magoaram!”. “Eu acredito na boa-fé e na integridade do meu marido/companheiro. Consigo expressar-lhe do que tenho medo e o que me deixa insegura. Confio que isso leva ao nosso crescimento conjunto!”

Estratégias a longo prazo:
Manter uma preocupação genuína relativa ao bem-estar do companheiro e ao que este necessita para ser feliz. Esteja consciente de que as pessoas vão mudando ao longo da vida e que isso poderá exigir algumas adaptações da sua parte. Ganhe o hábito de se olhar e perceber em que é que se sente mudada. Peça feedback ao seu parceiro e tentem perceber as compatibilidades e os pontos fracos das mudanças mútuas para que nada aconteça “de repente” ou “por acaso”.

Exercício prático:
Aceite-se como é e aceite o outro como ele também é. Evite o stress emocional de desejar modificar o outro! Se sente essa necessidade em permanência, reveja as razões que a levaram a casar com essa pessoa! Ou a ter um relacionamento amoroso com ela. Verifique se essas razões permanecem válidas e reavalie a situação em conjunto. Verifique se o seu casamento está ligado pelo amor, pela necessidade ou pelo medo da solidão. Se existir amor no seu casamento, tudo o resto será ultrapassado.

Mas o exercício, esse, é seu!

Teresa Marta

O Tempo Certo Não Existe

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Somos peritos em desperdiçar o tempo que temos. Adiamos decisões e acções esperando que venha o tempo certo. Ou que venha um acontecimento decisivo, que nos leve a agir. Ou esperamos até que estejam reunidas “as condições ideais”.

Casa Rio Frio

Esta ditadura do tempo, à qual nos submetemos por decisão própria, diminui a nossa auto-confiança e a nossa auto-estima. Ficamos menos confiantes, porque adiar significa trair a nossa vontade natural de agir. Não agimos na altura certa, quando no fundo sabemos que seria essa a atitude mais correcta. À medida que o tempo vai passando, a nossa auto-confiança vai ficando mais pobre. Deixar para mais tarde agudiza o problema inicial tornando-se cada vez mais difícil voltar atrás para repormos as coisas como achamos que elas devem ser.

Mas não agir, quando achamos que o devemos fazer, por considerarmos que não é ainda o momento, debilita também a nossa auto-estima. Porque começamos a achar que não somos coerentes connosco próprios. Achamos que estamos a trair a nossa vontade. E este diálogo interior é muito destrutivo.

Acabamos assim por prejudicar o nosso bem-estar. Vivemos angustiados, divididos entre o que achamos que devíamos fazer e aquilo que realmente implementamos. Anulamos a nossa autenticidade, aquilo que realmente somos. E aquilo que realmente precisamos para ser felizes.

O momento certo não existe. Há pessoas que esperam a vida toda pelo tempo certo. Apenas para ficarem. Quietas.

Teresa Marta

Objectivos e Emoções

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Degraus
Quando eu era gestora corria compulsivamente atrás de objectivos. Meta após meta, vivia cada dia como uma grande parede que haveria de escalar rumo ao sucesso, mesmo que isso significasse não ter vida própria. Trabalhava desenfreadamente para melhorar a minha performance e as metas que impunha a mim mesma. E, para o pior ou para o melhor, conseguia-o!

Emoções? Afectos?
Isso era algo menor que deixava à porta da empresa.
Não digo que fosse simples. Mas era fazível. Nessa altura, o meu pensamento recorrente era: “Eu aguento!, Isto até é fácil. Tenho sempre conseguido. Por isso, vou conseguir novamente. Mais esta vez. Só mais esta vez. No próximo ano tiro férias! Dois meses de férias!”

E aguentei, é certo, à custa da minha própria vida pessoal, sempre em segundo plano. À conta da minha saúde e, por vezes, sacrificando os meus afectos. Muitas vezes, até!
Hoje, sempre que ouço alguém dizer “Só mais esta vez. Vou ficar mais um bocadinho a trabalhar para o objectivo!”, penso naquela Teresa que, não sabendo parar, raramente sentia. E de repente dei por mim a questionar tudo à minha volta e tudo o que existia em mim. O tempo que não tinha. A vida onde estava e que já não queria! A vida que já não me dizia nada!

Aprendi à minha custa que as coisas mais importantes não estão no final do percurso, mas naquilo que encontramos enquanto o fazemos.

Permita-se admitir e sentir as suas emoções. Permita-se deixar ir alguns objectivos que só nos aprisionam num ciclo vicioso de vitórias. Um ciclo vicioso, onde o nosso crescimento pessoal é diminuto.


Teresa Marta

Reforce o seu Valor Pessoal

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Estamos tão preocupados em mostrar que somos capazes, em ser uma solução, em encontrar soluções, que nos esquecemos de Ser. De ser pessoas. De nos entendermos a nós próprios. De nos darmos tempo. De nos desculparmos quando não somos os melhores.

Esquecemo-nos de nos vermos com carinho e de mostrarmos gratidão por aquilo que conseguimos. Todos os dias. Por pouco que seja. Conseguimos alguma coisa. Alguma coisa que até pode ser imperceptível para os outros. Mas que nós sabemos que fizemos acontecer. Fomos nós.
O valor que nos atribuímos (auto-valor) condiciona a forma como vemos o mundo e como lhe reagimos, a forma como conseguimos reagir ao que nos acontece.

Quando a nossa noção de auto-valor é baixa, sentimo-nos inseguros, temos receio de arriscar, receio de expressar o que sentimos, de sermos ridicularizados e de sermos menosprezados. Se não nos reconhecemos valor, a nossa auto-estima diminui, bem como a nossa noção de merecimento. Viver sem nos reconhecermos valor condiciona pois o nosso comportamento em sociedade e em família.

Auto-valor

Talvez tenha crescido com a crença de que nada do que fazia estava certo. Esta situação pode ser muito limitadora e angustiante. Pode, por exemplo limitar a sua produtividade e o seu sucesso profissionais (medo de tomar decisões, de inovar, de não ser reconhecido). O não reconhecimento do nosso valor pode limitar também a qualidade dos nossos relacionamentos interpessoais: ou porque necessitamos em permanência que nos valorizem, que nos digam que fizemos bem; ou porque desconfiamos da nossa capacidade para fazermos os outros felizes. Evitamos agir espontaneamente, dizer o que sentimos com autenticidade, com receio de que o outro nos critique ou que inclusive nos abandone.

Vivemos tão condicionados pela insegurança, por podermos frustrar as expectativas dos outros, que por vezes não conseguimos ver o nosso próprio valor. Sentimos que não somos merecedores. Sejamos pois, um pouco mais conscientes do nosso Valor Pessoal, pois a imagem que temos de nós não é mais que a soma de todos os feedbacks que recebemos ao longo da vida, em relação ao modo como nos comportámos e sobre aquilo que sabíamos ou deixávamos de saber.

Teresa Marta
DICAS PARA REFORÇAR O SEU VALOR PESSOAL:

Valorize as suas vitórias
Aceite o seu valor como um direito próprio e natural
Valorize as suas tentativas de melhoria
Identifique e reforce os seus pontos fortes
Não assuma o papel de vítima
Diga abertamente o que precisa

Dia dos Namorados: Estou sozinha! E então?

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Como Coach e Terapeuta, talvez devesse estar hoje a escrever um post em defesa do amor para toda a vida e dos relacionamentos duráveis. Mas, exactamente por sê-lo, não vou fazer nada disso.

Coração Palmela

Ao invés, falarei da insatisfação crónica que se instalou em nós e que chega também aos nossos relacionamentos pessoais e amorosos, em particular. Uma insatisfação que sentimos por nós mesmos colocando à nossa vida metas cada vez mais ambiciosas. Neste processo, acabamos por incluir aqueles que amamos, muitas vezes culpando-os por não sermos felizes.


Esquecemo-nos, amiúde, que nós próprios somos parte do binómio «eu-outro». Como tal, as causas da insatisfação que sentimos em relação a «eles» devem ser procuradas, em primeiro lugar, em nós próprios. Trata-se do “mercado da personalidade”, como o definiu Erich Fromm (1900 – 1980). Em grande medida, sempre que deixamos de gostar de um produto ou de um serviço, na causa do nosso “des-gosto” estão, geralmente, não as características do produto ou do serviço em si mesmas, mas as nossas ideias, necessidades e desejos, que entretanto se alteraram.

Como temos sempre um objectivo a cumprir, transportamos esse modelo para os nossos relacionamentos pessoais. Assim sendo, casar, ter uma relação sólida, encontrar a alma gémea, apaixonar-se, são objectivos que consideramos essenciais para o nosso bem-estar. Esta necessidade é vital: desde o nascimento, a experiência da separação produz ansiedade, uma ansiedade geradora de fragilidade existencial. Em posse do «outro», o homem quebra o seu isolamento, a sua separação, e, com isso, o mundo exterior torna-se um lugar seguro para Si.

No entanto, esta não é a forma mais correcta de conseguirmos o nosso equilíbrio emocional no que respeita aos relacionamentos amorosos. Desde logo, porque consideramos, a priori, que o nosso equilíbrio provém do exterior, de alguém ou de algo externo a nós. Como tal, se o «outro» muda, se deixa de… ou se passa a…, perdemos o pé. Porque acreditamos que sozinhos somos uma impossibilidade.

Em termos existenciais, esta relação do «eu» com os «outros» mostra a nossa tendência natural para procurar no «outro» a supressão das nossas fragilidades. No entanto, como referiu Martin Heidegger (1889 – 1976), a resolução da maior parte dos problemas do Eu passa por conseguirmos reflectir internamente sobre “aquilo que respeita a cada um de nós, aqui e agora”.

Teresa Marta

DICAS PARA RELACIONAMENTOS MAIS FELIZES:
Não veja no outro a solução para os seus problemas
Tome consciência de que o outro não foi feito para si
Livre-se do desejo de mudar o outro
Liberte o medo de perder o outro
Respeite a individualidade do outro
Ame, começando por Si

Coragem para Entrar na Dor e Sair Reforçada

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Acho que a Coragem só se conquista depois de experimentarmos a dor. É duro isto que digo. Talvez até desmotivante. Mas é a verdade. Dor. Sentida. Vivida. Plasmada em nós. Dor que senti tantas vezes. No meu percurso. Na minha vida. E às vezes. Tantas vezes. Tantas. Uma dor experimentada. Tantas vezes, repetidamente.

Só na multidão

A dor emocional é uma das nossas maiores aprendizagens. Senti-la. Deixá-la avassalar-nos, se assim tiver de ser. E tantas vezes, comigo, teve de ser. E tantas vezes me isolei pensando que assim sentia menos. E tantas vezes parti anónima. Entre a multidão da grande cidade. Querendo confundir-me. Desesperadamente. Querendo que a minha dor, misturada com a dor de outros rostos, não fosse mais que apenas isso. Uma dor qualquer. De uma mulher qualquer. Como tantas outras. Uma dor anónima. De uma mulher anónima. Uma dor, por isso, desvalorizável.

Percebo hoje que a nossa maior restrição ao prazer e à alegria é termos medo de sentir dor. Sentir dor em nós. No nosso Self. Na nossa mente. No nosso Coração. No nosso estômago. No nosso sono. Na nossa Alma.

Sei hoje, que só perdendo o medo de sentir, posso sentir. Sentir que, qualquer que seja a questão, qualquer que seja o resultado, estarei cá. Preparada.

Mesmo que chore. Mesmo que angustiada. Mesmo que com medo. Mergulho nisso tudo. Consciente que só dessa forma estarei cá amanhã. Novamente. Para tudo o que a Vida me reserve. Para abraçar essa "insustentável leveza do ser", que nos caracteriza. E que tanto tentamos anular.

Teresa Marta

A Importância do Desapego para a Felicidade

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“Após a minha rápida e brilhante ascensão profissional, que me levou ao topo das grandes hierarquias, percebi que afinal não tinha nada. Exteriormente, tinha tudo o que sonhara ter, mas não sentia nada dentro de mim. À noite, deitava-me imerso nos meus pensamentos de como alcançar novos objectivos e de como conseguir que o meu nome ficasse impresso nos livros de gestão.

Até a minha mulher contribuía para reforçar o meu estilo de vida. No entanto, aos poucos, deixou de me pedir explicações por atrasos ou ausências, de me pedir que a acompanhasse às compras, ao cinema ou ao médico. Deixou de falar-me do seu dia e tão pouco se continuou a preocupar com a escolha da minha gravata.

Após um duro divórcio, impus-me uma pausa de um ano onde acabei por concluir que não fizera nada de grandioso. Para ser sincero acho que nunca criei ou inventei nada de extraordinário. Estive amarrado à ideia de que era alguém muito importante. Às vezes questiono-me se valeu a pena ter ficado preso à condição de fazer tudo para ter sempre mais.”

Pratique-o-Desapego Teresa Sem medo-300x199Trabalhando em Relação de Ajuda, confronto-me muitas vezes com descrições como esta. Na exigência que impomos a nós mesmos, nunca nada é suficientemente glorioso, visível ou importante. Desvalorizamos as pequenas conquistas, que são passos gigantes para afirmar o nosso valor, a nossa capacidade de ver para além do momento presente, para além das crises que enfrentamos. Pequenos momentos, que nos devolvem a capacidade de acreditar na vida, de acreditar na nossa força infinita para fazer a mudança.

Vivemos agarrados a pesados fardos relacionados com a necessidade de ter mais, produzir mais, ganhar mais, sermos mais considerados. Este peso, carregado diariamente, pode levar-nos a níveis de stress e a situações muito angustiantes e ansiosas.

Teresa Marta
DICAS PARA PRATICAR O DESAPEGO E SER MAIS FELIZ:

Faça uma lista daquilo que já não o faz feliz
Desligue-se do peso das expectativas que criaram sobre si
Desconfie do sentimento que lhe diz: “Já não é suficiente!”
Deixe-se ir
Preocupe-se apenas com o que consegue controlar

Escolher-se a si mesma

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E, mesmo quando escolhemos não escolher, já estamos a fazer uma escolha. Mesmo quando nos mantemos num emprego que não gostamos ou numa relação que não nos dá alegria, estamos a escolher ficar aí. Por muito que o nosso cérebro nos diga que não, que estamos em determinado sítio ou com determinada pessoa porque somos obrigados, porque não temos alternativa ou porque é melhor aceitar as condições, que algo melhor virá, mesmo assim, estamos a escolher.

Escolher-se a si própria Prefere fazer as suas opções ou sente-se mais confortável quando optam por si? Gosta mais de escolher ou que a escolham? 

Estas perguntas, aparentemente simples, podem tornar-se muito angustiantes, nomeadamente quando estamos a enfrentar dilemas difíceis de resolver.


Se o seu padrão é ficar à espera que a escolham, possivelmente acabará por concluir que está a deixar de liderar a sua vida. Isso não é bom nem é mau. É apenas, e mais uma vez, uma escolha que fazemos. E as escolhas que fazemos ditam a nossa qualidade de vida.

A forma como escolhemos é pois determinante para o nosso equilíbrio. No entanto, raramente as escolhas que fazemos são em função daquilo que efectivamente é melhor para nós. Escolhemos, muitas vezes, em função do que é melhor para que os outros nos aceitem como iguais. Raramente nos escolhemos a nós mesmos, antes de escolhermos qualquer coisa, situação ou pessoa.

A forma como exercemos o nosso poder de escolha reflecte o modo como nos tratamos e revela muito sobre a nossa auto-estima e a forma como nos vemos. De facto, começamos a ganhar qualidade de vida quando nos tratamos bem, quando cuidamos de nós. Quando nos estimamos.

Teresa Marta

DICAS PARA CUIDAR MELHOR DE SI:

A Angústia do Fim-de-Semana

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Já alguma vez se sentiu angustiada, ansiosa e até nervosa por estar a chegar o fim-de-semana? Já se sentiu cansada por estar vários dias sem fazer nada? Ou, por exemplo, já interrompeu as férias por não conseguir “estar parada”?

Angustia fim-de-semana

Se já experimentou estas sensações saiba que sentiu um tipo muito especial de stress, designado, existencialmente, por “stress do vazio”:
o stress que ocorre quando simplesmente não temos obrigações para cumprir, quando não temos um objectivo a atingir, quando não temos nada que nos imponha um ritmo. Quando de repente não temos ninguém a fazer barulho em casa ou alguém para cuidar.

Pode parecer paradoxal, mas nem todos conseguimos sentir bem-estar nos dias ou momentos em que podemos efectivamente descansar. Ou seja, há quem sinta stress por quase tudo e quem sinta stress por quase nada. Sempre nos disseram que temos de ser alguma coisa, fazer alguma coisa, ter alguma coisa. Estar parado, não fazer nada, é estar fora do que é aceite como equilibrado e bom.

Como tal, crescemos com a crença de que se formos alguma coisa, tivermos alguma coisa e fizermos alguma coisa, existimos como seres humanos válidos. É por isso que nos sentimos seguros se tivermos trabalho, se tivermos família, mulher, marido, filhos, amigos, vida social. Todos estes aspectos fazem parte de uma vida cheia, plena. Retirá-los significa uma grande insegurança. Um medo terrível de não sermos, de acabarmos. Não há modelo para a solidão. Não há modelo para o vazio. Estar no vazio é sentir uma enorme insegurança geradora de medo. Medo de não termos nada. Medo de que nos falte tudo.
A minha experiência pessoal

Eu já sofri de stress do vazio. Foi numa fase dura da minha vida em que trabalhava 14 horas por dia. Às vezes mais. Não porque isso representasse um aumento dos meus benefícios financeiros. Trabalhava para ocupar o meu tempo o mais possível. Estar muito ocupada libertava a minha mente do contacto com aspectos que me eram muito difíceis de assumir. Era como se deixando de trabalhar deixasse de existir. E por isso trabalhava ainda mais. Ir de fim-de-semana significava contactar com a minha solidão, com o facto de não haver ninguém que necessitasse de mim, de não ter assuntos importantes para resolver.

À semelhança de outros tipos de stress, o stress do vazio tem origem nos nossos medos. O medo de não conseguirmos atingir os nossos objectivos, o medo de não sermos aceites, de não estarmos à altura da situação, de fraquejarmos. O medo de nos criticarem, de não conseguirmos ser o que esperam de nós. No meu caso, bem visto, o stress era gerado pelo medo da solidão. Ou, empregando um termo Existencialistas, o meu stress era provocado pelo receio do nada. De ter sentir o vazio.

Teresa Marta
DICAS PARA DIMININUIR O STRESS:


 

 

A Angústia da Perfeição

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Perfeição FloresReclamamos a Perfeição em tudo o que nos rodeia. Buscamos essa Perfeição em tudo, em todos e em nós próprios. Uma busca de Perfeição, diga-se, que está a dominar-nos tomando contornos de tipo psicopatológico, doentios.

Pais perfeitos, filhos mais que perfeitos, maridos perfeitos, esposas perfeitas, o emprego perfeito, uma vida perfeita, corpos perfeitos, inteligências perfeitas, saúde perfeita… Tudo à nossa volta gira em função de um mundo, também ele, necessariamente, perfeito. De tal forma, que a condição de “ser perfeito” nos impõe amarras verdadeiramente angustiantes, impõe-nos esquemas de pensamento que anulam a nossa forma de estar e de sentir. Que anulam o nosso Eu. Anulam a nossa autenticidade, aquilo que realmente somos.

E de repente damos por nós a questionar tudo à nossa volta e tudo o que existe em nós: é a ruga que apareceu, é o quilo a mais, é a celulite que não nos larga, é um cabelo que branqueou (coitado do cabelo que nem pediu para assim ficar), é o tempo que chove, é o Papa “a cortar” o trânsito, é a casa que precisa de obras, é o chefe que não muda, é o filho que não estuda, é o tempo que não temos para nós, é a vida onde estamos mas que não queremos!

Francamente, quem aguenta isto? Talvez não se tenha ainda apercebido quanto tempo passa em “ruminações” idênticas. Mas acredite: de nada servirão. Assim, o que lhe proponho para este mês é que identifique quais os aspectos da sua vida (pessoal, profissional, material, espiritual, etc.) que considera imperfeitos, ou, pelo menos, onde tem pensamentos do tipo “Ah, se ao menos isto pudesse ser diferente! Seria perfeito!” Basta que escreva um aspecto que considere imperfeito em cada campo da sua vida. Por exemplo, “Sacrifico-me muitas vezes pelos outros pois não consigo dizer “não” a nada que me peçam!”.

Seguidamente, tente encontrar duas formas de resolver cada aspecto identificado. Imagine para o exemplo dado: “Conseguir dizer “não” pelo menos três vezes por semana” e “Conseguir desligar o telemóvel uma hora por dia sem me culpar!”. Ao sistematizar os aspectos negativos, tentando por si mesmo encontrar soluções, está a tomar consciência das suas limitações, e, ao mesmo tempo, a perceber que “sim!”, consegue encontrar alternativas para os aspectos menos positivos na sua vida.

O que se passa, contudo, é que geralmente encontramos um montão de desculpas para ficarmos dependentes das nossas imperfeições. Embora não gostemos delas, é sempre mais confortável para o Self viver no conforto do adquirido e do conhecido, do que fazer rupturas. Rupturas das quais não sabemos os resultados.

Ocorre no entanto, que o Mundo não é perfeito, nós não somos perfeitos, o nosso emprego não é perfeito, os nossos filhos não são perfeitos, os nossos chefes não são perfeitos. E então? Somos humanos! Valha-nos isso! A perfeição, ou a ausência dela, reside sobretudo na nossa forma de pensar. Na nossa forma de ver. Na forma como vemos os outros e os avaliamos. Na forma como nos vemos e nos avaliamos!

Permita-se pois admitir e sentir a imperfeição nalguns aspectos da sua vida. Vai sentir-se muito mais feliz!

Teresa Marta

Dominados pelo valor

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Sisifo“O teu valor deixa muito a desejar!”, “Nunca pensei que deitasses por terra o teu valor pessoal!”, “Como é possível não reconheceres o meu valor?”. Estas palavras soam-lhe familiares? O Marketing, por exemplo, define o valor de um produto de forma muito simples: basicamente, o valor é aquilo que o consumidor diz que é. Neste sentido, o valor não é mensurável. Resulta da apreciação subjectiva de cada consumidor.

E o que se passa com a avaliação do valor das pessoas? Basicamente, o mesmo! O nosso valor resulta da avaliação (subjectiva) que os outros fazem de nós. Em geral, passamos a vida a tentar corresponder ao valor que os outros acham que temos. No entanto, lutar dia-a-dia para corresponder às expectativas dos outros desgasta-nos, cansa-nos, gera angústia existencial. Perdemos a noção de quem somos realmente: se nós, se a imagem reflectida de nós.

Resultado da percepção do outro, lutamos em permanência para sermos alguém de quem os outros gostem, que os outros apreciem, que os outros reconheçam, que valorizem, acabando por esquecer quem de facto somos, qual o nosso valor efectivo.

A angústia gerada por tentarmos corresponder ao que esperam de nós é ainda agudizada pelos objectivos que colocamos a nós próprios. Estamos sempre a esticar a fasquia! Queremos forçar as coisas a acontecerem, desejamos controlar tudo: nós, os outros, os acontecimentos, o tempo, a evolução natural do nosso corpo, a idade. E acabamos por nos concentrar muitas vezes naquilo que não temos, no que nos falta, no que não somos, no que não chega ou não é suficiente.

Num mundo que esgota a nossa identidade ao avaliar-nos pelo que fazemos, pela nossa beleza, a nossa riqueza ou a nossa pobreza, o nosso poder ou a nossa juventude, angustiamo-nos ao vivermos em função daquilo que julgamos dever ser. Dizemos a nós próprios, “se eu fosse mais alto, mais jovem, mais magro, mais rico, mais comunicativo, mais feliz…”, estaria tudo bem.

Mas não estaria. Porque o valor, tal como a beleza, o amor e a felicidade, começa em nós, não é algo que temos porque os outros no-lo dão. Numa perspectiva existencialista, o valor do Self está intimamente ligado à sua Singularidade. Àquilo que em nós é único, ao que nos torna efectivamente pessoas com necessidades, desejos, angústias e limitações próprias. O valor está pois intimamente ligado à nossa humanidade. Cada vez mais esquecida.

Para aumentar a sua noção auto-valor, e passar a viver uma vida mais saudável, é imprescindível que aceite as suas imperfeições. Aceite-se como é: lembre-se que está a fazer o melhor que pode, com as condições e o conhecimento que tem neste momento. Quando conseguimos sentir-nos confortáveis com que somos, ao invés de estarmos em permanência a tentar ser quem achamos que devíamos, passamos a sentir-nos muito mais seguros, e aumentamos a nossa sensação de bem-estar.

Não tem de provar nada! Porque o faz? Incomoda-o o julgamento dos outros? Não estará a sabotar o seu valor quando assume como verdadeiras as percepções que fazem de si? Sinta orgulho pelo que é! Pelo que já conseguiu! Por isso, siga em frente!

Abençoe aquilo que já tem. Todos os valores que o seu pote pessoal de valor já possui. Pode ser pouco, pode ainda não ser aquilo que deseja. Mas já o tem. É seu. Comece a reconhecer o que vale. Saiba que vale! Sinta que vale! Este é o seu dia. É o dia de expressar o seu valor! É o dia de procurar e de libertar a sua singularidade.

Teresa Marta

Sem medo de recomeçar

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Já arrisquei por diversas vezes sair da minha zona de conforto. Por vezes fui bem sucedida, outras não. Conto nas estatísticas nacionais como alguém que já criou negócios que não funcionaram. Negócios que nasceram antes do próprio mercado estar preparado para eles. Ideias criativas que representavam apenas os meus sonhos e não os sonhos de muitos outros que os desejariam comprar. E não se tratou de falta de estratégia ou de planos de negócio. Como a nossa vida pessoal, a profissional também apresenta este hiato entre o que desejamos e o que nos acontece de facto.

Caminho bicicletaÉ o preço a pagar para saltar para o vazio acreditando que os nossos sonhos se podem efectivamente realizar. Para isso, temos de acreditar nalguma coisa que é desconhecida, em algo que por muitos estudos, equações ou conjecturas que façamos, não sabemos se irá dar certo.

A vida não é uma certeza e isso é a única certeza com a qual podemos contar ao longo da nossa existência. Se nada existe como certo, aquilo que podemos fazer é gerir a imponderabilidade de não sabermos como será o amanhã. Podemos escolher entre opções. Mas isso apenas nos oferece a possibilidade de, na incerteza entre uma opção e outra, garantirmos a melhor escolha face às possibilidades.

Existencialmente, a angústia gerada pela obrigatoriedade de termos de escolher, apenas consegue ultrapassar-se aceitando a incerteza. Aceitando que a maioria das circunstâncias da nossa vida estão fora do nosso controlo. Assumindo que a escolha que fizemos não foi a mais adequada. Arcando com a responsabilidade do nosso fracasso, encarando-o como uma oportunidade de fazermos melhor.

Neste processo, aquilo em que precisamos de acreditar, para começar, é em nós mesmos. Acreditar em nós deve ser a nossa escolha primordial e inicial. A partir daqui é mais simples acreditar que todos os saltos no desconhecido que façamos contribuem para o nosso crescimento e realização. Só tendo Fé em nós mesmos ficamos disponíveis para absorver e criar todas as possibilidades, ao invés de nos colocarmos do lado das limitações.

A nossa cultura do fracasso e do obstáculo faz com que nos foquemos nos nossos pontos fracos mais do que nos nossos trunfos. Como tal, aquilo que realmente temos de positivo é camuflado por aquilo que julgamos não possuir. No entanto, os acontecimentos menos bons poderão servir, simplesmente, para aprendermos algo com a situação. Não é de facto “a coisa”, como diria Martin Heidegger, que determina a forma como nos sentimos. Ao contrário, a forma como nos sentimos com as coisas que nos acontecem é o resultado daquilo que pensamos, da forma como encaramos as nossas experiencias.

Assim, a pergunta que tem de fazer a si próprio, não é se consegue sair da sua zona de conforto em segurança, sem fracassar. A grande questão que tem de se colocar é se efectivamente acredita em si, na sua resistência e na sua capacidade infinita de recomeçar.

Teresa Marta

Alma Gémea Procura-se!

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Alma gémea - amorAndamos todos (talvez não todos, mas quase), ou pelo menos alguma vez andámos, à procura de alguém especial na nossa vida. De alguém que nos faça sentir deslumbrantes, desejados, importantes, confiantes. De alguém que nos mime e nos pegue ao colo. De alguém que ao mesmo tempo nos tire a respiração. De alguém que nos motive e nos dê força para continuar. De um alguém que tantas vezes designamos como Alma. A nossa «Alma Gémea».

Encontrar tal pessoa, no entanto, é difícil. Difícil, em primeiro lugar, porque consideramos que encontrar a tal pessoa especial é um objectivo a cumprir. Daqueles que se colocam na agenda, como a inscrição no ginásio, passar mais tempo a fazer o que nos dá prazer ou começar a pensar mais em nós e na nossa felicidade. Difícil, em segundo lugar, porque geralmente procuramos no sítio errado! Procuramo-la no exterior. Fora de nós.

Esta condicionante deve-se a estarmos em permanência a considerar que tudo o que necessitamos nos é dado pelo mundo à nossa volta. Pelas pessoas que nos rodeiam, os amigos, a família, os filhos, os pais, os maridos, as mulheres os companheiros, a Religião, o Estado, a Sociedade, enfim. Vemos o Mundo como se o Mundo tivesse sido desenhado para nós e temos muito pouca flexibilidade para ver o Mundo ao contrário: não como tendo sido feito para nós, mas a ser feito por nós. Esta é uma das principais razões pelas quais andamos em permanência a considerar o Mundo como injusto, como um lugar onde não somos compreendidos, onde não nos conseguimos realizar, onde não somos amados nem desejados. O local onde sofremos sem razão. O local onde procuramos resposta para a velha questão: “que mal fiz eu a Deus?”.

Esta é também a razão pela qual devemos virar ao contrário a procura da tal “Alma Gémea”. Na concepção Existencial do Ser Humano, esta pessoa não deve procurar-se. Esta pessoa não se encontra lá. No mundo. Devemos sim procurá-la cá. Dentro de nós. Mais. Devemos construi-la. Como? Em Si. Começando por Si. Mime-se. Tire esse ar de solidão. Ou, se por acaso for o contrário, esqueça o seu ar de “el matador”. Os seres especiais, aqueles que procuramos, as tais almas gémeas, gostam de pessoas reais. Daquelas que marcam pela sua simplicidade, pela sua capacidade de escutar e de ajudar, pela sua empatia, pelo sorriso que passa dos lábios e chega aos olhos.

Por isso, no seu dia-a-dia, identifique todos os pontos e soluções possíveis que poderão contribuir para elevar a sua auto-estima. Para se sentir melhor consigo próprio. Mesmo que muitas vezes lhe pareça que para elevar a sua auto-estima tem de colocar em causa a felicidade ou o bem-estar dos outros, acredite que nada retira mais bem-estar aos outros que a nossa incapacidade de nos amarmos a nós mesmos. De nos aceitarmos tal como somos. De mostrar aos outros exactamente o que desejamos, ao invés de pensar que são eles que, se nos amam, têm a obrigação de descobrir o que nos faz felizes.

Já viu quantos conflitos e mal-entendidos criamos ao deixarmos aos outros a responsabilidade de tentarem adivinhar o que nos faz falta? Quando muitas vezes somos nós mesmos que não sabemos? Como exercício deste mês, tente responder (com sinceridade) às seguintes perguntas: o que me faz falta verdadeiramente (a mim?)? E, que pessoas especiais desejo encontrar? Quando tiver respondido a estas duas questões, verifique se aquilo que lhe faz falta e a pessoa que deseja encontrar, não existem já… talvez em si. Caso sinta que não, não hesite. Peça ajuda! Há milhares de formas de chegarmos a nós. Entre estas, a mais rápida começa por não ficarmos parados.

Teresa Marta

Leia aqui algumas dicas para relacionamentos mais felizes.