Teresa sem medo: Perfeccionismo
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Dicas: Como Praticar o Desapego?

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“Desapegar” é desconfortável pois obriga a contactar com aquilo que nos dói. desapego é uma atitude e resulta da nossa capacidade para ultrapassar o medo da insegurança e da carência.

Veja abaixo algumas dicas para o ajudar a Praticar o Desapego.

Como Praticar o Desapego?


  1. Valorizar menos as expectativas que os outros têm sobre si e os objectivos que lhe colocam. As contas finais da sua vida são dadas por si, a si mesma! 

  2. Treinar o merecimento libertando a ideia de que aquilo que merece depende do valor que os outros lhe atribuem. 

  3. Ser menos perfeccionista deixando ir a ideia de que nunca é suficiente. 

  4. Identificar os pesos que a sua vida tem e se ainda precisa deles para ser feliz. Perceba se aquilo que carrega como importante para a sua sobrevivência não é algo pelo qual está a pagar um preço elevadíssimo. 

  5. Permita-se ser quem é e como é e liberte a necessidade de controlar o que os outros são.

  6. Comece por se desapegar de coisas simples: diminuir o número de cafés por dia; a quantidade de vezes que troca de mala ou de sapatos; os pequenos-almoços fora; o último gadget; levar o carro até à porta do emprego. Aos poucos vai começar a sentir-se melhor pois está usar a força do fazer para se desapegar de coisas que afinal até pode prescindir. 


COMO DESAPEGAR-SE...

…de bens materiais?
Praticar o desapego de bens materiais exige coragem para nos assumirmos pelo que somos e não pelo que temos. Um bom exercício é reduzir as nossas necessidades e perceber que, mesmo vivendo com menos, sobrevivemos. Este exercício permite-nos resgatar a fé na nossa capacidade criativa e no nosso potencial de mudança. Muitas vezes vivemos situações de dependência material às quais nos apegamos porque deixamos de acreditar na nossa capacidade de mudar, de fazer algo diferente, de seguir sem o apoio das pessoas habituais. Todas estas são estratégias que a nossa mente percepciona como confortáveis pois não nos obrigam a ir para o desconhecido. Ter menos bens materiais não nos deve preocupar. O que deve preocupar-nos é perdermos a vontade própria, a resiliência e a capacidade de acreditar no nosso potencial e na nossa força criativa.

…de sentimentos negativos?
Os nossos sentimentos resultam daquilo que pensamos. Como tal, para agir sobre a forma como se sente tem de agir primeiro sobre a forma como pensa, sobre aquilo que pensa. Praticar o desapego relativo a sentimentos negativos significa estar consciente de que a única coisa que podemos efectivamente controlar é a escolha do que sentimos face ao que nos acontece. Esta é a base da sabedoria emocional. Tudo o resto é apego a velhas fórmulas que já testámos e que já não nos servem para nada. Seja honesta com aquilo que sente. Este processo é complexo, mas pode simplificá-lo assumindo, de uma vez por todas, o respeito pela sua verdade interior. Seja honesta e assuma o que é melhor para si. Isso fará com que os sentimentos negativos fiquem cada vez mais longe.

…de pessoas?
A maioria das situações que nos prendem são de natureza relacional: “não consigo viver sem esta pessoa”, “não consigo seguir em frente sozinha”. Um dos melhores exercícios que pode fazer para se desligar de pessoas que já não contribuem para o seu bem-estar é fazer o exercício do “regresso à origem”. Isto é: antes de existir a pessoa da qual tem de se afastar já era pessoa. Já tinha a sua vida. Bem ou mal, existia, produzia, crescia e avançava. Trabalhe o amor e a aceitação por si mesma. Quanto mais se aceitar e acreditar em si, mais as circunstâncias lhe parecerão simples e as soluções possíveis. Porque as situações ficarão a depender cada vez mais de si e não daquilo que os outros possam ou não fazer. Logo, ficará menos presa ao que a envolve e mais ligada à sua vontade pessoal.

…do passado?
O desapego relativo ao passado (face ao que tivemos e já não temos, face ao que amámos e que será irrepetível, face à culpa e à perda) ultrapassa-se com aceitação. Para tal, anule a crítica e a culpabilização. O que passou está lá. Aceite-se como é agora e as circunstâncias como se apresentam. Só aceitando a situação presente, sem fugir, pode construir algo diferente para o seu futuro. Tenha orgulho em si e na sua história. Apesar de tudo o que possa estar a sentir, foi ela que a fez chegar aqui. Não podemos ser felizes se permanecemos amarrados a esqueletos antigos, que não nos deixam seguir em frente. Não tenha receio de percorrer caminhos novos. Buscar o que ainda não alcançou traz-lhe uma sensação de liberdade incrível! E, dessa liberdade pessoal também nasce a felicidade. A culpa é algo que tem de aprender a deixar para trás, se quer ser feliz. A culpa não serve para nada! Apenas para nos sobrecarregar de angústia, de vazio e de tristeza. Aquilo que fez, e que está a gerar essa culpa, fê-lo o melhor que sabia, nas condições e com os conhecimentos que tinha na altura.

…do futuro?
O desapego face ao futuro significa tranquilizarmo-nos pelo que pode ou não vir a acontecer. Porque o apego ao futuro representa o nosso desejo de controlo: o desejo de controlar aquilo que não podemos mas desejamos. Para nos desapegarmos dos “E se?” que nos prendem, temos de ter vontade de entrar no desconhecido, o campo de todas as possibilidades. Trabalhe para criar o futuro que deseja. Essa é a principal forma de o alcançar. Neste trabalho, desprenda-se do resultado e foque-se no caminho que está a fazer para o alcançar. Isso diminui-lhe a ansiedade pela concretização permitindo-lhe observar alternativas mais simples para alcançar o que deseja. O foco no resultado está sempre ligado ao medo e à insegurança. E estes são as nossas grandes prisões. Seja qual for a sua origem familiar, as suas condições de partida, os seus traumas e inseguranças, pode sempre trabalhar para criar o futuro que deseja. Lembre-se que mais importante do que aquilo que fizeram de nós e aquilo que nos deram, é aquilo que conseguimos fazer com o que temos agora.


Estas Dicas fazem parte de um artigo originalmente escrito por mim para a revista Prevenir e publicado na edição de Maio 2015. Estas são as Dicas sobre a primeira parte do artigo, que pode ler aqui no blog.


Teresa Marta

A Angústia da Perfeição

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Perfeição FloresReclamamos a Perfeição em tudo o que nos rodeia. Buscamos essa Perfeição em tudo, em todos e em nós próprios. Uma busca de Perfeição, diga-se, que está a dominar-nos tomando contornos de tipo psicopatológico, doentios.

Pais perfeitos, filhos mais que perfeitos, maridos perfeitos, esposas perfeitas, o emprego perfeito, uma vida perfeita, corpos perfeitos, inteligências perfeitas, saúde perfeita… Tudo à nossa volta gira em função de um mundo, também ele, necessariamente, perfeito. De tal forma, que a condição de “ser perfeito” nos impõe amarras verdadeiramente angustiantes, impõe-nos esquemas de pensamento que anulam a nossa forma de estar e de sentir. Que anulam o nosso Eu. Anulam a nossa autenticidade, aquilo que realmente somos.

E de repente damos por nós a questionar tudo à nossa volta e tudo o que existe em nós: é a ruga que apareceu, é o quilo a mais, é a celulite que não nos larga, é um cabelo que branqueou (coitado do cabelo que nem pediu para assim ficar), é o tempo que chove, é o Papa “a cortar” o trânsito, é a casa que precisa de obras, é o chefe que não muda, é o filho que não estuda, é o tempo que não temos para nós, é a vida onde estamos mas que não queremos!

Francamente, quem aguenta isto? Talvez não se tenha ainda apercebido quanto tempo passa em “ruminações” idênticas. Mas acredite: de nada servirão. Assim, o que lhe proponho para este mês é que identifique quais os aspectos da sua vida (pessoal, profissional, material, espiritual, etc.) que considera imperfeitos, ou, pelo menos, onde tem pensamentos do tipo “Ah, se ao menos isto pudesse ser diferente! Seria perfeito!” Basta que escreva um aspecto que considere imperfeito em cada campo da sua vida. Por exemplo, “Sacrifico-me muitas vezes pelos outros pois não consigo dizer “não” a nada que me peçam!”.

Seguidamente, tente encontrar duas formas de resolver cada aspecto identificado. Imagine para o exemplo dado: “Conseguir dizer “não” pelo menos três vezes por semana” e “Conseguir desligar o telemóvel uma hora por dia sem me culpar!”. Ao sistematizar os aspectos negativos, tentando por si mesmo encontrar soluções, está a tomar consciência das suas limitações, e, ao mesmo tempo, a perceber que “sim!”, consegue encontrar alternativas para os aspectos menos positivos na sua vida.

O que se passa, contudo, é que geralmente encontramos um montão de desculpas para ficarmos dependentes das nossas imperfeições. Embora não gostemos delas, é sempre mais confortável para o Self viver no conforto do adquirido e do conhecido, do que fazer rupturas. Rupturas das quais não sabemos os resultados.

Ocorre no entanto, que o Mundo não é perfeito, nós não somos perfeitos, o nosso emprego não é perfeito, os nossos filhos não são perfeitos, os nossos chefes não são perfeitos. E então? Somos humanos! Valha-nos isso! A perfeição, ou a ausência dela, reside sobretudo na nossa forma de pensar. Na nossa forma de ver. Na forma como vemos os outros e os avaliamos. Na forma como nos vemos e nos avaliamos!

Permita-se pois admitir e sentir a imperfeição nalguns aspectos da sua vida. Vai sentir-se muito mais feliz!

Teresa Marta