Teresa sem medo: auto-imagem
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Não gosto da minha irmã

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Joana tem 42 anos, é casada há 15 e tem duas filhas: Patrícia, com 12 anos, e Luísa, com 8 anos de idade.

Pergunta: 
A minha filha mais velha pensa que eu gosto mais da irmã do que dela. Esta semana escreveu-me esta mensagem: “desde que a minha irmã nasceu, a minha vida é uma porcaria!”. Diz-me várias vezes que eu acho graça a todas as brincadeiras da irmã e que ela é mais bonita do que ela.

Resposta:
Compreendo perfeitamente que se sinta angustiada e imagino o quanto deverá ser duro para si ouvir a sua filha dizer-lhe que gosta menos dela do que da irmã.

O nascimento de um irmão é sempre uma fase sensível para os filhos mais velhos. É comum que os irmãos fiquem ligeiramente perturbados podendo pensar que os pais vão gostar mais do bebé do que deles, que o bebé vai roubar toda a atenção, que os pais querem outro bebé por eles terem feito alguma coisa de mal.

Posteriormente, a rivalidade entre os irmãos pela atenção dos pais faz parte do natural desenvolvimento das crianças.

A Patrícia manifesta não só um comportamento de rivalidade fraterna, importante para o seu desenvolvimento, como verbaliza a necessidade que sente na confirmação do amor da mãe. As palavras da mensagem remetem para a problemática da aceitação do nascimento de um irmão. Ora, não se trata aqui de uma questão de amor por parte dos pais, mas sim de uma necessidade de comunicação.

Concretamente, a Patrícia precisa urgentemente de ser ajudada pelos pais a (re)encontrar o seu lugar na família e reforçar os sentimentos de segurança e de amor no seio da mesma. Só assim conseguirá desenvolver uma relação saudável com a irmã.

Se a Patrícia não for ajudada vai crescer com o sentimento de ser “menos amada”, “menos bonita”, “menos competente”…, o que contribui fortemente para a construção de uma baixa auto-imagem de Si.

Consequentemente, o que hoje representa “ser menos do que a irmã” poderá transformar-se em “ser menos do que os outros” e por isso ter implicações importantes na sua vida e na criação de relações sociais saudáveis.

Carina Silva,
Psicóloga Clínica



Mais magra ou mais "forte"?

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O Marketing define o valor de um produto de forma muito simples: o valor é aquilo que o consumidor diz que é. Neste sentido, o valor não é mensurável. Resulta da apreciação subjectiva de cada consumidor.

E o que se passa com a avaliação do valor das pessoas? Basicamente, o mesmo! O nosso valor resulta da avaliação (subjectiva) que os outros fazem de nós. Em geral, passamos a vida a tentar corresponder ao valor que os outros acham que temos. No entanto, lutar dia-a-dia para corresponder às expectativas dos outros desgasta-nos, cansa-nos, gera angústia em nós. Perdemos a noção de quem somos realmente: se nós, se a imagem reflectida de nós. 

Em resultado da percepção do outro, lutamos em permanência para sermos alguém de quem os outros gostem, que os outros apreciem, que os outros reconheçam, acabando por esquecer quem de facto somos, qual o nosso valor efectivo.

A angústia gerada por tentarmos corresponder ao que esperam de nós é ainda agudizada pelos objectivos que colocamos a nós próprias. Estamos sempre a esticar a fasquia! Queremos forçar as coisas a acontecerem, desejamos controlar tudo: nós, os outros, os acontecimentos, o tempo, a evolução natural do nosso corpo, a idade. E acabamos por nos concentrar muitas vezes naquilo que não temos, no que nos falta, no que não somos, no que não chega ou não é suficiente.

Num mundo que esgota a nossa identidade ao avaliar-nos pelo que fazemos, pela nossa beleza, a nossa riqueza ou a nossa pobreza, o nosso poder ou a nossa juventude, angustia-mo-nos ao vivermos em função daquilo que julgamos dever ser. Dizemos a nós próprios, “se eu fosse mais alto, mais jovem, mais magro, mais rico, mais comunicativo, mais feliz…”, estaria tudo bem.

Mas não estaria tudo bem. Bem, ficaremos quando tivermos carinho por quem somos, compreensão pelo que estamos a viver e respeito pelo que já fizemos.

Teresa Marta

Dicas para aumentar a gratidão

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 Dicas para aumentar a Gratidão

1. Valorize a pessoa que já é.  Para chegar aqui fez um caminho. Mais fácil ou mais difícil, mas é o seu caminho. Um caminho que deve respeitar por tudo aquilo que aprendeu e tudo aquilo que conseguiu ultrapassar.

2. Sinta-se grata por pequenas coisas às quais não costuma estar atenta. Por exemplo, poder estar agora a ler este artigo. Ter tempo para isso. Mais: estar a ler, sem ser em Braille. Talvez esteja em casa, no cabeleireiro, na sala de espera de um consultório. Agradeça. Está a ler por si mesma!

3. Agradeça sempre que conseguir deitar fora experiências, padrões, comportamentos e pessoas, que já não lhe faziam bem.

4. Seja grata pelas suas relações falhadas. Cada relação que termina é uma oportunidade única para praticar o perdão e para conhecer novas pessoas que façam realmente sentido na sua vida.

5. Agradeça, sempre que consegue desapegar-se coisas, pessoas e profissões aniquilantes, que já não contribuem para a sua felicidade. Se agora tem pouco. Vai ter mais. Se já tem muito vai ter mais. A gratidão é uma emoção win-win.

6. Se sente vazio (de amor, de tempo, de amizade, de sentido de vida), agradeça ao seu vazio a oportunidade que ele lhe oferece. Se sentir que tem pouco, agradeça o pouco. Significa que tem um campo imenso à sua frente para ter mais. Para produzir mais. Para amar mais. Para voltar a apaixonar-se. Tem espaço vazio para tudo isso!

7. Agradeça aos seus erros e aos seus medos. Reconheça-lhes o seu valor pois eles existiram para a fortalecer. Precisou deles ultrapassar obstáculos em determinada altura da sua vida.



Exercícios para aumentar a Gratidão

Passo a passo, exercitar a gratidão:

1. Auto-diagnóstico:
Faça um barómetro do seu nível de gratidão. Numa escala de 1 a 20, qual considera ser o seu nível de gratidão actual? Pense individualmente, quão grata se sente, nos seguintes pontos: Amor/relacionamentos; Família; Profissão; Saúde; Prosperidade Financeira.

2. Auto-análise:
Tente perceber porque se está a sentir pouco grata nos sectores a que atribuiu valores mais baixos.

3. Plano de acção:
Identifique estratégias e acções que possam aumentar o seu nível de gratidão actual, para cada um dos sectores da sua vida. Tente que o seu plano dependa essencialmente de si e daquilo que pode fazer e não dos outros ou das circunstâncias externas.

4. Partilhe a sua gratidão:
Partilhe amor, esperança e alegria, mesmo em tempos difíceis. Quando partilha alegria em situações complicadas tudo à sua volta se transforma. A situação difícil passa a ser vista de forma mais positiva e o outro passa também a sentir-se grato.

5. Cure a sua linguagem:
Anule expressões como: “Tive a infelicidade de ficar desempregada”, “Nada me corre bem”, “Sou fraca”, “Não consigo”, “Quando as coisas corem bem, até duvido!”, “Tenho um salário muito baixo”; “Ninguém me entende”; “Está tudo tão caro”, “O amor foge-me”. Estas frases anulam por completo a sua capacidade inata para se sentir grata. E isso faz com que a sua vida fique parada no ressentimento, no queixume e na vitimização. Algo que, decerto, não quer para si!



Estas dicas fazem parte do artigo que "Terapia da Gratidão" que saiu na edição de Fevereiro de 2015 da revista Prevenir e que pode ser lido aqui.

Obstáculos e oportunidades

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Como interpretamos a vida? Como percepcionamos o que nos acontece? Vemos no caminho obstáculos ou marcos indicadores de direcção? 

Enquanto virmos os obstáculos como culpados das situações que vivemos, continuaremos a estar na vida como cortinas de fumo. Nunca estaremos a resolver nada. Estaremos sempre a tentar tapar aquilo que não queremos ver. Aquilo a que não queremos aceder. Aquilo que nos custa aceitar. Evitamos aquilo que não queremos aceitar nos outros, nem nas circunstâncias. Mas sobretudo, evitamos aquilo que não queremos aceitar em nós mesmos. 

Este confronto connosco, não é nunca pacífico. Desde logo, porque somos os nossos principais críticos. Foi isso que nos foram ensinando. E, desde logo também, porque somos aqueles que mais nos abandonamos. Esta é uma constatação complexa e que demoramos a integrar no nosso percurso. Mas uma constatação fundamental, para entendermos quem somos e para onde desejamos ir. 

A forma como vemos os acontecimentos nunca depende dos próprios acontecimentos. Depende sempre de nós. Como tal, é a nós que compete transformar os obstáculos em marcos indicadores de caminho.

Teresa Marta

Frases que nos impedem de ser feliz...

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“Nada me corre bem!”, “Eu já sabia que não ia conseguir. Comigo é sempre assim!”, “É muito difícil arranjar emprego nesta época de crise!”, “Não está fácil!”. Se costuma usar este tipo de frasesquando fala de si ou da sua vida, saiba que está a limitar a sua felicidade! O nosso diálogo negativo irá tornar-se naquilo que acabará por nos acontecer.


Alterar a forma como verbalizamos as nossas emoções, o que sentimos e o que nos acontece é uma competência emocional e um dos recursos mais úteis para reformular crenças e padrões negativos.

As frases negativas, repetidas constantemente, transformam-se em emoções tóxicas que nos provocam sentimentos como o desamor, a raiva, a culpa, o medo, a angústia e a solidão. Ao ponto de nos tornarmos ansiosas. Preocupadas. Compulsivas. Ao ponto, mesmo, de adoecermos! Emocional e fisicamente.

Reformular aquilo que dizemos substituindo expressões e palavras negativas por palavras nas quais exista esperança, optimismo, confiança e fé processo da vida, permite-nos olhar para o que nos acontece de forma positiva. Mesmo quando sentimos caos, insegurança, medo, frustração e incerteza, tudo pode mudar se transformarmos a forma como verbalizamos o que nos acontece. Isto significa que encontraremos soluções onde outros vêem problemas e descobriremos caminhos mais simples para situações complexas.

Viktor Frankl, Psiquiatra, fundador da logoterapia, sobreviveu aos campos de concentração nazis ao usar as palavras para ajudar outros prisioneiros a encontrarem um sentido para a vida, onde 100% via o fim da sua existência!O modo como descrevemos a nossa vida altera de facto a forma como nos sentimos e aquilo que sentimos muda a forma como reagimos às situações. Ou seja, o que dizemos torna-se verdade para nós. Passa a ser a nossa realidade. A Programação Neurolinguística (PNL) baseia-se no mesmo princípio: somos mais felizes, mais realizados, mais esperançosos e mais saudáveis, quando usamos palavras de incentivo e expressões de optimismo!


É pois muito importante que consiga mudar aquilo que diz, a forma como o diz e até o que pensa!
Alterar o que diz envolve mudar, não apenas aquilo que diz aos outros, mas também o que diz a si mesma! O seu diálogo interior! Esta mudança é essencial para fortalecer a sua capacidade para reagir de forma positiva às adversidades.


Será que conseguimos mudar o nosso diálogo e tornarmo-nos mais positivas? Sim! Cabe-nos a nós a decisão de optar, em cada momento, pela escolha das palavras certas. E as palavras certas são aquelas que nos elevam a auto-estima, que melhoram a nossa auto-imagem e que nos impulsionam a agir!

8 IDEIAS PARA REPROGRAMAR O SEU DIÁLOGO NEGATIVO: 

  1.  A nossa vida é aquilo que dizemos que é! Se passamos o tempo a dizer que somos infelizes, por certo, mesmo que a felicidade esteja ao nosso lado, não a conseguiremos ver! 

  2. Aquilo que dizemos torna-se verdade para nós pois é nisso que acreditamos! 

  3. O facto de acreditarmos em algo negativo sobre nós mesmas ou sobre a nossa vida, não significa que tal seja verdadeiro! 

  4.  Se alguma coisa não está a funcionar bem na sua vida, verbalize-a de outra maneira. Não diga que acordou sem vontade alguma de ir trabalhar. Diga: “Vou aproveitar este dia, o melhor que conseguir! Eu mereço que tudo me corra bem!” 

  5. Enquanto acreditarmos que algo não está bem… esse algo dificilmente irá melhorar. 

  6. Os nossos pensamentos são afirmações não verbalizadas. Para ter um diálogo positivo deve começar por mudar os seus pensamentos para melhor! 

  7. Mudar aquilo que dizemos significa escolher, de forma consciente, palavras que nos ajudam a mudar os nossos padrões negativos e, com isso, a forma como nos sentimos. Mudar a forma como nos sentimos é a base de qualquer mudança que desejemos na nossa vida. 

  8.  Use o negativo ao contrário. Isto é, ao invés de focar o seu cérebro no que não funciona foque-se no que funciona! Por exemplo, ao invés de focar o seu pensamento na doença dirija-o para a saúde.







5 EXEMPLOS PARA MUDAR O SEU DISCURSO:

  1. “NADA FUNCIONA NA MINHA VIDA!” 
  2. “Algumas coisas na minha vida estão a funcionar bem! Tudo está a correr cada vez melhor. Eu assumo a responsabilidade! Eu posso mudar! Eu posso fazer algo diferente para mudar esta situação!". 

  3. “A MINHA DOENÇA TENDE A PIORAR!” 
  4. “Cuido de mim todos os dias para ser mais saudável. Evito pessoas e pensamentos tóxicos! Escolho ter pensamentos positivos! É possível recuperar a minha saúde! Não desisto!” 

  5. “NINGUÉM ME CONSEGUE FAZER FELIZ!”
  6. “Não há ninguém que me consiga fazer infeliz! Eu escolho quem me faz bem. Eu sou dona das minhas escolhas e opto de acordo com aquilo que me faz sentir bem!” 

  7. “É MUITO DIFÍCIL ARRANJAR EMPREGO!”
  8. “O emprego ideal para mim surge facilmente. Trabalho diariamente nesse sentido! Sou competente e o mercado precisa dos meus talentos! Esta situação não me vai levar a melhor!”

  9. “NÃO QUERO SENTIR ESTA CULPA!”
  10. “Fiz o que achava correcto com os conhecimentos e as condições que tinha na altura. Trato de mim com carinho e isso melhora a minha relação com os outros. Sinto-me cada vez melhor com as minhas atitudes!”.


Teresa Marta

Amor e celulite

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Desde que se conhece como mulher, Maria sempre fez dieta. Não que fosse obesa! Ao contrário, Maria nem tinha peso a mais. Era uma mulher, nem gorda nem magra. Era uma mulher equilibrada. No entanto, Maria sentia-se sempre um pouco gordinha, com imensa celulite e com umas banhinhas aqui e ali. “Estancou” na medida 36. Quando sentia que a cintura, a anca ou a barriga cresciam, nem que fosse um centímetro, começava uma nova dieta. Por conta própria. Foi assim, desde sempre! Maria nem se recordava de uma vida sem limites alimentares.

Maria casou, teve dois filhos e começava a fazer dieta, logo após cada uma das gravidezes. Isso valeu-lhe um corpo invejável, mesmo depois dos 40! Um corpo invejável para os outros, claro. Para Maria faltava sempre algo. Ou, na perspectiva dela, havia sempre algo a mais. Vivia obcecada com a ideia comum, de que o corpo das mulheres muda depois dos 30. E o corpo dela não mudou. Depois, estava convicta que, chegando os 40 iria acontecer, em definitivo, esse fenómeno da multiplicação das células adiposas.


Logo após os 40 anos, Pedro, que sempre elogiara o corpo de Maria, passou a ter mais responsabilidades na empresa e aceitou sociedade na S.A. Pedro desmultiplicou-se em horas passadas a trabalhar. Maria desmultiplicou-se em chocolates. Com eles vieram uns quilos a mais. Não muitos. Talvez uns seis. Pouca coisa, para uma mulher elegante de 1,70m! Mas eram seis quilos e o tamanho 36 tornou-se uma impossibilidade. Como impossível se tinha tornado o humor de Maria. Maria devorava chocolates. Primeiro por prazer, depois por dor. E, como se o doce fosse a mais, Maria compensava-se de seguida com pistácios e amendoins fritos salgados.


Pedro começou a ter pouca paciência para o mau humor de Maria. Com o humor alterado, Maria deixou de se despir à frente de Pedro alegando que estava gorda demais para que ele a visse. Passaram a fazer amor cada vez menos vezes, depois passaram a fazê-lo apenas às escuras e a seguir nem o faziam mais, porque Maria não lhe apetecia. E, sim, porque Pedro passou a chegar a casa cada vez mais tarde. Esperando que este tarde fosse suficiente para Maria já estar a dormir.

Ninguém entendia Maria. Nem a própria Maria. Chegou a um ponto em que simplesmente Pedro disse a Maria que não aguentava mais. E Maria concluiu que era porque estava gorda e que Pedro não a entendia, nem a amava.

Demorou algum tempo para que Maria ultrapassasse este difícil processo de desfasamento relativo à sua auto-imagem. Passou a viver de relacionamentos rápidos, daqueles em que as pessoas não se detêm para ver o outro, nem para o sentir. Daqueles em que isso também não importa nada. Nesta azáfama de procura, de uma procura vingativa para afastar a raiva que sentia de si própria, Maria conheceu Afonso. Afonso era um jovem executivo bem sucedido em busca de sexo sem compromisso, mas, sempre que possível com mulheres inteligentes. E resolvidas! Encontraram-se numa sessão de cinema de meia-noite. Maria para não ir para casa cedo. Afonso para aliviar mais um dia de trabalho até às tantas. 

No estacionamento subterrâneo quis o destino que os carros de ambos estivessem lado a lado. E dali, quis a vontade que saíssem juntos. No carro de Afonso.  

Nessa manhã de Verão, após a intensa noite de revolução que aquele amor tinha sido, Afonso contou a Maria que se tinha divorciado há dois meses. Não aguentara o facto da mulher se achar sempre “cheinha” e de nunca conseguir levá-la a jantar, sem que passasse o tempo a contar calorias. Afonso confessou, com algum despudor, que os homens amam mulheres reais. Mulheres assumidas, mulheres que aceitam a sua imagem. Mulheres que se cuidam, mas que não são escravas de dietas, de cirurgias, de ginásio. Afonso confessou o quanto amou a noite com Maria. Exactamente por Maria ser assim! Despreocupada. Genuína. Assumidamente mulher. Com as suas curvas generosas. Com locais únicos onde deitar a cabeça. Uma mulher, como ele gostaria que a sua tivesse sido.

Em suma: 
Instalou-se em nós uma insatisfação crónica que chega também aos nossos relacionamentos pessoais e amorosos, em particular. Uma insatisfação que sentimos por nós mesmos colocando à nossa vida, metas cada vez mais ambiciosas. Neste processo, acabamos por incluir aqueles que amamos, muitas vezes culpando-os por não sermos felizes.
E, muitas vezes com isso, privamos a nossa própria felicidade.


Teresa Marta

O Tempo Certo Não Existe

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Somos peritos em desperdiçar o tempo que temos. Adiamos decisões e acções esperando que venha o tempo certo. Ou que venha um acontecimento decisivo, que nos leve a agir. Ou esperamos até que estejam reunidas “as condições ideais”.

Casa Rio Frio

Esta ditadura do tempo, à qual nos submetemos por decisão própria, diminui a nossa auto-confiança e a nossa auto-estima. Ficamos menos confiantes, porque adiar significa trair a nossa vontade natural de agir. Não agimos na altura certa, quando no fundo sabemos que seria essa a atitude mais correcta. À medida que o tempo vai passando, a nossa auto-confiança vai ficando mais pobre. Deixar para mais tarde agudiza o problema inicial tornando-se cada vez mais difícil voltar atrás para repormos as coisas como achamos que elas devem ser.

Mas não agir, quando achamos que o devemos fazer, por considerarmos que não é ainda o momento, debilita também a nossa auto-estima. Porque começamos a achar que não somos coerentes connosco próprios. Achamos que estamos a trair a nossa vontade. E este diálogo interior é muito destrutivo.

Acabamos assim por prejudicar o nosso bem-estar. Vivemos angustiados, divididos entre o que achamos que devíamos fazer e aquilo que realmente implementamos. Anulamos a nossa autenticidade, aquilo que realmente somos. E aquilo que realmente precisamos para ser felizes.

O momento certo não existe. Há pessoas que esperam a vida toda pelo tempo certo. Apenas para ficarem. Quietas.

Teresa Marta

Reforce o seu Valor Pessoal

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Estamos tão preocupados em mostrar que somos capazes, em ser uma solução, em encontrar soluções, que nos esquecemos de Ser. De ser pessoas. De nos entendermos a nós próprios. De nos darmos tempo. De nos desculparmos quando não somos os melhores.

Esquecemo-nos de nos vermos com carinho e de mostrarmos gratidão por aquilo que conseguimos. Todos os dias. Por pouco que seja. Conseguimos alguma coisa. Alguma coisa que até pode ser imperceptível para os outros. Mas que nós sabemos que fizemos acontecer. Fomos nós.
O valor que nos atribuímos (auto-valor) condiciona a forma como vemos o mundo e como lhe reagimos, a forma como conseguimos reagir ao que nos acontece.

Quando a nossa noção de auto-valor é baixa, sentimo-nos inseguros, temos receio de arriscar, receio de expressar o que sentimos, de sermos ridicularizados e de sermos menosprezados. Se não nos reconhecemos valor, a nossa auto-estima diminui, bem como a nossa noção de merecimento. Viver sem nos reconhecermos valor condiciona pois o nosso comportamento em sociedade e em família.

Auto-valor

Talvez tenha crescido com a crença de que nada do que fazia estava certo. Esta situação pode ser muito limitadora e angustiante. Pode, por exemplo limitar a sua produtividade e o seu sucesso profissionais (medo de tomar decisões, de inovar, de não ser reconhecido). O não reconhecimento do nosso valor pode limitar também a qualidade dos nossos relacionamentos interpessoais: ou porque necessitamos em permanência que nos valorizem, que nos digam que fizemos bem; ou porque desconfiamos da nossa capacidade para fazermos os outros felizes. Evitamos agir espontaneamente, dizer o que sentimos com autenticidade, com receio de que o outro nos critique ou que inclusive nos abandone.

Vivemos tão condicionados pela insegurança, por podermos frustrar as expectativas dos outros, que por vezes não conseguimos ver o nosso próprio valor. Sentimos que não somos merecedores. Sejamos pois, um pouco mais conscientes do nosso Valor Pessoal, pois a imagem que temos de nós não é mais que a soma de todos os feedbacks que recebemos ao longo da vida, em relação ao modo como nos comportámos e sobre aquilo que sabíamos ou deixávamos de saber.

Teresa Marta
DICAS PARA REFORÇAR O SEU VALOR PESSOAL:

Valorize as suas vitórias
Aceite o seu valor como um direito próprio e natural
Valorize as suas tentativas de melhoria
Identifique e reforce os seus pontos fortes
Não assuma o papel de vítima
Diga abertamente o que precisa

Dicas para Reforçar o seu Valor Pessoal

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Valorize as suas vitórias

As vitórias não são grandes nem pequenas. A primeira vez que deu um passo, foi apenas um passinho. Pequeno. Inseguro. Mas na sua vida pessoal foi uma grande vitória. Valorize os seus sucessos. Deixe de os considerar como algo necessário para merecer a aprovação dos outros. Os seus sucessos são, em primeiro lugar, seus. Fazem parte do seu valor pessoal.
Aceite o seu valor como um direito próprio e natural

Valorizar-se, sem precisar que os outros o façam por si, é essencial pois reflecte o modo como se trata a si mesma. Começamos a ganhar qualidade de vida quando aprendemos a reconhecer o nosso valor. Nesse sentido, o auto-valor é também uma forma de cuidamos de nós e de nos estimarmos. Não o veja como um acto de egoísmo. Quem não se reconhece valor também não consegue ver valor nos outros.
Valorize as suas tentativas de melhoria

Conseguirmos auto-elogiar-nos, sem receio de cairmos no ridículo ou de sermos humilhados é essencial para a nossa auto-estima, a nossa auto-valorização e o nosso crescimento pessoal. Não diga a si mesma o que correu mal. Pense naquilo que correu bem. Valorize as suas tentativas e o seu esforço para melhorar. Isso aumenta a sua auto-confiança e das próximas vezes que tentar vai sentir-se melhor consigo própria.
Identifique e reforce os seus pontos fortes

Faça uma lista dos seus pontos fortes e reforce-a com novos conhecimentos e competências. Faça-o proactivamente e ciclicamente ao longo da vida. Esta atitude faz com que se sinta sempre em sintonia com o que há de novo na sua profissão, na forma como gere os seus relacionamentos e no modo como lida com as suas próprias emoções e sentimentos. Aumenta o seu poder pessoal.
Não assuma o papel de vítima

Para reforçar o seu valor pessoal, elimine os papéis de vitimização, de tipo: “nunca me elogias!”, “faça o que fizer nada é perfeito para ti”, “ninguém me dá valor!”. Para além de nos colocar no papel de vítimas este tipo de atitude também nos retira a capacidade de liderarmos a nossa vida.
Diga abertamente o que precisa

Fale abertamente (e sem criticar o outro), sobre aquilo que sente quando acha que merece que lhe reconheçam valor e não o fazem. Sobretudo porque pode estar em presença de alguém que nunca aprendeu a valorizar os outros ou que acha que valorizar significa perder poder. Amuar, ficar calada ou “remoer” a mágoa, apenas servirá para retirar qualidade aos seus relacionamentos.

Escolher-se a si mesma

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E, mesmo quando escolhemos não escolher, já estamos a fazer uma escolha. Mesmo quando nos mantemos num emprego que não gostamos ou numa relação que não nos dá alegria, estamos a escolher ficar aí. Por muito que o nosso cérebro nos diga que não, que estamos em determinado sítio ou com determinada pessoa porque somos obrigados, porque não temos alternativa ou porque é melhor aceitar as condições, que algo melhor virá, mesmo assim, estamos a escolher.

Escolher-se a si própria Prefere fazer as suas opções ou sente-se mais confortável quando optam por si? Gosta mais de escolher ou que a escolham? 

Estas perguntas, aparentemente simples, podem tornar-se muito angustiantes, nomeadamente quando estamos a enfrentar dilemas difíceis de resolver.


Se o seu padrão é ficar à espera que a escolham, possivelmente acabará por concluir que está a deixar de liderar a sua vida. Isso não é bom nem é mau. É apenas, e mais uma vez, uma escolha que fazemos. E as escolhas que fazemos ditam a nossa qualidade de vida.

A forma como escolhemos é pois determinante para o nosso equilíbrio. No entanto, raramente as escolhas que fazemos são em função daquilo que efectivamente é melhor para nós. Escolhemos, muitas vezes, em função do que é melhor para que os outros nos aceitem como iguais. Raramente nos escolhemos a nós mesmos, antes de escolhermos qualquer coisa, situação ou pessoa.

A forma como exercemos o nosso poder de escolha reflecte o modo como nos tratamos e revela muito sobre a nossa auto-estima e a forma como nos vemos. De facto, começamos a ganhar qualidade de vida quando nos tratamos bem, quando cuidamos de nós. Quando nos estimamos.

Teresa Marta

DICAS PARA CUIDAR MELHOR DE SI:

Dicas para cuidar melhor de Si

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NÃO COLOQUE O SEU BEM-ESTAR NA DEPENDÊNCIA DE ALGUMA COISA OU ALGUÉM
Se realmente quer começar a cuidar melhor de si, comece por aceitar fazer um trabalho coerente com aquilo que deseja para a sua vida, com aquilo que sente ser a sua identidade e a sua vontade. Este trabalho significa, desde logo, aceitar que aquilo que pretende desenvolver depende, em primeiro lugar de si! Significa aceitar que está disposta a não colocar o seu bem-estar na dependência de alguma coisa ou de alguém.



ESCOLHA-SE A SI MESMA EM PRIMEIRO LUGAR
A sua primeira atitude deve ser ter coragem de se escolher em primeiro lugar. Escolher escolher-se irá aumentar a sua consciência de merecimento.



AUMENTE A SUA CONSCIÊNCIA DE MERECIMENTO
No desenvolvimento da consciência de merecimento é essencial que identifique quais as acções que neste momento representam esforços inúteis para si. Abandone-as de imediato e sinta o alívio de não continuar amarrada a situações que lhe retiram energia, que a desgastam e que a fazem questionar a sua capacidade de fazer as melhores escolhas para si. Isto significa dar-se a si própria a oportunidade de mudar a sua vida para aquilo que quiser. Você merece!


RESPEITE OS SEUS LIMITES 
 Aprenda a respeitar os seus limites fazendo com que aqueles que a rodeiam os reconheçam. Diga “não” as vezes que forem necessárias. Não se sinta culpada por isso. Não sinta em permanência que se não fizer uma coisa vai quebrar as expectativas que têm sobre si. Estas são crenças enraizadas desde a nossa primeira infância. Mas nós não estamos condenados a permanecer no sistema de crenças dos nossos pais nem nas limitações que nos incutiram. Você é a pessoa que tem de prestar contas a si mesma. É você que conta, em primeiro lugar.

Dominados pelo valor

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Sisifo“O teu valor deixa muito a desejar!”, “Nunca pensei que deitasses por terra o teu valor pessoal!”, “Como é possível não reconheceres o meu valor?”. Estas palavras soam-lhe familiares? O Marketing, por exemplo, define o valor de um produto de forma muito simples: basicamente, o valor é aquilo que o consumidor diz que é. Neste sentido, o valor não é mensurável. Resulta da apreciação subjectiva de cada consumidor.

E o que se passa com a avaliação do valor das pessoas? Basicamente, o mesmo! O nosso valor resulta da avaliação (subjectiva) que os outros fazem de nós. Em geral, passamos a vida a tentar corresponder ao valor que os outros acham que temos. No entanto, lutar dia-a-dia para corresponder às expectativas dos outros desgasta-nos, cansa-nos, gera angústia existencial. Perdemos a noção de quem somos realmente: se nós, se a imagem reflectida de nós.

Resultado da percepção do outro, lutamos em permanência para sermos alguém de quem os outros gostem, que os outros apreciem, que os outros reconheçam, que valorizem, acabando por esquecer quem de facto somos, qual o nosso valor efectivo.

A angústia gerada por tentarmos corresponder ao que esperam de nós é ainda agudizada pelos objectivos que colocamos a nós próprios. Estamos sempre a esticar a fasquia! Queremos forçar as coisas a acontecerem, desejamos controlar tudo: nós, os outros, os acontecimentos, o tempo, a evolução natural do nosso corpo, a idade. E acabamos por nos concentrar muitas vezes naquilo que não temos, no que nos falta, no que não somos, no que não chega ou não é suficiente.

Num mundo que esgota a nossa identidade ao avaliar-nos pelo que fazemos, pela nossa beleza, a nossa riqueza ou a nossa pobreza, o nosso poder ou a nossa juventude, angustiamo-nos ao vivermos em função daquilo que julgamos dever ser. Dizemos a nós próprios, “se eu fosse mais alto, mais jovem, mais magro, mais rico, mais comunicativo, mais feliz…”, estaria tudo bem.

Mas não estaria. Porque o valor, tal como a beleza, o amor e a felicidade, começa em nós, não é algo que temos porque os outros no-lo dão. Numa perspectiva existencialista, o valor do Self está intimamente ligado à sua Singularidade. Àquilo que em nós é único, ao que nos torna efectivamente pessoas com necessidades, desejos, angústias e limitações próprias. O valor está pois intimamente ligado à nossa humanidade. Cada vez mais esquecida.

Para aumentar a sua noção auto-valor, e passar a viver uma vida mais saudável, é imprescindível que aceite as suas imperfeições. Aceite-se como é: lembre-se que está a fazer o melhor que pode, com as condições e o conhecimento que tem neste momento. Quando conseguimos sentir-nos confortáveis com que somos, ao invés de estarmos em permanência a tentar ser quem achamos que devíamos, passamos a sentir-nos muito mais seguros, e aumentamos a nossa sensação de bem-estar.

Não tem de provar nada! Porque o faz? Incomoda-o o julgamento dos outros? Não estará a sabotar o seu valor quando assume como verdadeiras as percepções que fazem de si? Sinta orgulho pelo que é! Pelo que já conseguiu! Por isso, siga em frente!

Abençoe aquilo que já tem. Todos os valores que o seu pote pessoal de valor já possui. Pode ser pouco, pode ainda não ser aquilo que deseja. Mas já o tem. É seu. Comece a reconhecer o que vale. Saiba que vale! Sinta que vale! Este é o seu dia. É o dia de expressar o seu valor! É o dia de procurar e de libertar a sua singularidade.

Teresa Marta