Teresa sem medo: casamento
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Ana, com os nervos à flor da pele, reencontra o equilíbrio

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Se estão recordados, na última crónica contei a estória de Ana, que gostaria de se sentir menos nervosa e melhorar a relação com o seu marido.

Ana tomou consciência que o afastamento conjugal se tinha iniciado após o nascimento da filha de ambos, mas que nos últimos anos ainda se tinha agravado mais.

Ora, o nascimento do primeiro filho constitui uma marca fundamental na história de qualquer casal, na medida em que ao sistema conjugal se acrescenta o parental. Assim, é comum que numa primeira fase, o casal se centre fundamentalmente nas funções parentais.

Os elementos do casal deixam de ser apenas filhos, passando a ser também pais havendo ainda tendência para darem atenção à sua relação com os seus próprios pais. Estes motivos (mais complexos do que à partida parece), fazem com que numa primeira fase as atenções do casal estejam muito mais centradas na parentalidade do que na intimidade.

Assim, neste contexto de exploração das dimensões feminina e materna de A., esta recorda: “não sei se isto tem alguma coisa a ver, mas quando eu era pequena lembro-me de ouvir uns barulhos que vinham do quartos dos meus pais. Na altura eu não sabia o que era e tinha medo. Mas agora sei que tinham a ver com a vida íntima dos meus pais.” A. percebeu que este acontecimento estava claramente relacionado com a sua própria vida íntima, tanto mais que o distanciamento se agravava à medida que a filha, Maria, crescia.

A. sentia-se um pouco perdida porque acabava de fazer a ligação entre um acontecimento do passado e a influência deste na sua vida presente, mas não sabia como isso a poderia ajudar na prática.

A. iniciou o caminho do amor próprio e por isso começou a dedicar tempo para trabalhar o seu bem-estar emocional. Numa primeira fase,  exercícios respiratórios específicos, banhos relaxantes e o uso de cremes corporais, manifestaram-se muito benéficos para restabelecer o seu equilíbrio. Depois, partilhou com o marido o que se passava. Em seguida, começou a convidá-lo para fazer os programas que ela desejava fazer, mas que esperava que ele adivinhasse e a convidasse. Em suma, actualmente Ana continua casada e sente-se muito feliz.

Na relação conjugal, o ritmo da intimidade, em casais com alguns anos, é frequentemente vivido de forma distinta pela mulher e pelo homem.

Carina Silva,
Psicóloga Clinica

Nervos à flor da pele

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Ana tem 42 anos, é casada há 12 anos, tem uma filha com 8 anos de idade e trabalha numa loja de roupa. Quando veio à consulta disse-me: “decidi vir a esta consulta mas nem sei bem se preciso porque na minha infância não tive nenhum problema e até penso que tenho uma vida boa. Mas sou muito nervosa. Falaram-me destas consultas e decidi experimentar.”

Passadas algumas sessões, compreendemos que as preocupações da Ana se centravam no seu mal estar e na relação com o seu marido (João).

Ana diz que se enerva com facilidade com o marido: “implico muito com ele por coisas sem importância, grito muito e às vezes descontrolo-me ao ponto de partir loiça! Depois sinto-me muito mal comigo mesma. O João é muito bom para mim, toda a gente o aprecia e até me dizem que tenho sorte de o ter como marido. Sempre fui muito nervosa, mas gostaria de ser mais calma.”

Com o objectivo de compreendermos se o comportamento de Ana com o seu marido tinha sido sempre assim ou se tinha começado a partir de um determinado momento, Ana recorda: “quando vivíamos na casa da minha mãe, a relação com o João era diferente. Saíamos e convivíamos mais. Depois a Maria nasceu e começámos a construir a nossa casa.”

Posteriormente, Ana partilhou o facto de não ter relações íntimas regularmente com o marido. Isto, por um lado preocupa-a porque teme a traição, ainda que confie na fidelidade do marido; por outro lado frustra-a porque gostaria de voltar a ter satisfação na sua vida conjugal. Assim, e não se tratando de um problema de saúde, procurámos perceber esta mudança de comportamento conjugal e em simultâneo encontrar formas de o ultrapassar.

Às vezes, as pessoas encontram-se em situações de sofrimento, mas porque não encontram um acontecimento de vida que o justifique, não se permitem procurar ajuda.

Se pretende seguir a história da Ana não perca a próxima crónica!

Carina Silva
Psicóloga Clínica

Nova autora no Teresa Sem Medo

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O Bolg Teresa sem Medo, terá, a partir de hoje, uma nova autora. A Dra. Carina da Silva, Psicóloga Clínica em Paris, especializada em Terapia Familiar e de Casais.

Partilho com a Carina, para além de uma gratificante amizade, o facto de ambas termos feito parte do nosso percurso académico no ISPA, Instituto Universitário. A Carina, na Licenciatura em Psicologia Clínica. Eu, no Mestrado em Relação de Ajuda - Psicoterapia Existencial. Mas não foi aqui que nos conhecemos.

O nosso encontro deu-se de facto no ISPA, mas num Curso de Empreendedorismo Feminino que ministrei e onde a Carina participou. Nessa altura era Psicóloga Clínica numa Câmara Municipal da Grande Lisboa.

Inconformada com a rotina e a falta de perspectivas de poder vir a trabalhar na área específica que sempre desejou – a Terapia de Casais e Familiar, a Carina teve a Coragem de deixar o seu emprego estável, seguro e remunerado a tempo e horas, pela procura de algo mais. De algo com significado, que lhe permitisse satisfazer o seu propósito maior. Foi assim que há dois anos deixou Portugal. E é assim que hoje desenvolve a sua actividade como Psicóloga Clínica, em Paris.

Admiro profundamente a Coragem desta mulher, que trocou a segurança do salário fixo pelo desejo de realizar o seu sonho. Ela praticou, de facto a Coragem: a Acção do Coração. E também por isso lhe dirigi o convite para que quinzenalmente estivesse aqui connosco a partilhar histórias reais no âmbito da terapia de casal e familiar. Histórias anónimas, que, tenho a certeza, nos ajudarão a todos.

Quando desenvolvi o Blog Teresa sem medo, sempre foi minha ideia contar com a colaboração de outros autores que nos possam trazer mais-valias e novas perspectivas sobre as temáticas abordadas. A Terapia de Casais e Familiar é um dos temas mais importantes na ajuda à resolução de problemas que as famílias enfrentam.

Mas não o poderia ter feito sem primeiro ter a certeza da utilidade deste meu / nosso Blog, e, sem falsas modéstias, do sucesso do mesmo.

Sendo assim, todas as quinzenas, à terça-feira, terá aqui a Dra. Carina Da Silva, com as suas partilhas no âmbito da Terapia de Casal e Familiar. Esta nossa Psicóloga Portuguesa em Paris, que, na Cidade Luz, "Être Avec Vous!".






Medo de não ser feliz no casamento

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O medo de ser infeliz no casamento, e nos relacionamentos amorosos em geral, é muito comum mas raramente o enfrentamos com assertividade. Sentimos uma espécie de obrigação para seguirmos modelos sociais e familiares que nos disseram serem "os certos". Esses modelos, podem até evitar que entremos em conflito com os outros, mas, a longo prazo, não nos dão a felicidade que desejamos.

O medo de ter um casamento infeliz é mais frequente em mulheres do que nos homens e costuma ser comum em pessoas que cresceram em famílias cujos pais não tiveram casamentos felizes. No entanto, o oposto é também verdade: pode ocorrer em pessoas cujos pais foram felizes nos seus casamentos fazendo sentir aos filhos uma responsabilidade acrescida para alcançarem o mesmo.

O medo de ter relacionamentos amorosos infelizes é também comum em mulheres pouco seguras de si e com dificuldade em expressar o que sentem. Por outro lado, trata-se de um medo comum em pessoas que têm dificuldade em dizer "não" e em ser assertivas no que se refere a dizer o que esperam do outro. É como se esperassem que o companheiro conseguisse adivinhar o que sentem. Finalmente, mulheres muito perfeccionistas, muito exigentes consigo próprias e com os outros, são também potencialmente mais "atacadas" por este medo.

Erros a Evitar: Se sentir este medo deve deixar de tentar provar ao mundo que o seu casamento é forte e não passa por crises! Se a incomodam muito o julgamento dos outros, pense se não estará a sabotar o seu valor próprio, quando assume como verdadeiras as percepções que fazem de si.

Como neutralizar este medo no imediato?
Para neutralizar este medo, comece por mudar o seu diálogo interior, adoptando pensamentos como: “Eu não tenho de provar nada a ninguém e não deixo que o julgamento dos outros interfira no meu casamento/relação!”. “Deixo ir o passado e as situações que me magoaram!”. “Eu acredito na boa-fé e na integridade do meu marido/companheiro. Consigo expressar-lhe do que tenho medo e o que me deixa insegura. Confio que isso leva ao nosso crescimento conjunto!”

Estratégias a longo prazo:
Manter uma preocupação genuína relativa ao bem-estar do companheiro e ao que este necessita para ser feliz. Esteja consciente de que as pessoas vão mudando ao longo da vida e que isso poderá exigir algumas adaptações da sua parte. Ganhe o hábito de se olhar e perceber em que é que se sente mudada. Peça feedback ao seu parceiro e tentem perceber as compatibilidades e os pontos fracos das mudanças mútuas para que nada aconteça “de repente” ou “por acaso”.

Exercício prático:
Aceite-se como é e aceite o outro como ele também é. Evite o stress emocional de desejar modificar o outro! Se sente essa necessidade em permanência, reveja as razões que a levaram a casar com essa pessoa! Ou a ter um relacionamento amoroso com ela. Verifique se essas razões permanecem válidas e reavalie a situação em conjunto. Verifique se o seu casamento está ligado pelo amor, pela necessidade ou pelo medo da solidão. Se existir amor no seu casamento, tudo o resto será ultrapassado.

Mas o exercício, esse, é seu!

Teresa Marta