Teresa sem medo: Recomeçar
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Coragem para Entrar na Dor e Sair Reforçada

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Acho que a Coragem só se conquista depois de experimentarmos a dor. É duro isto que digo. Talvez até desmotivante. Mas é a verdade. Dor. Sentida. Vivida. Plasmada em nós. Dor que senti tantas vezes. No meu percurso. Na minha vida. E às vezes. Tantas vezes. Tantas. Uma dor experimentada. Tantas vezes, repetidamente.

Só na multidão

A dor emocional é uma das nossas maiores aprendizagens. Senti-la. Deixá-la avassalar-nos, se assim tiver de ser. E tantas vezes, comigo, teve de ser. E tantas vezes me isolei pensando que assim sentia menos. E tantas vezes parti anónima. Entre a multidão da grande cidade. Querendo confundir-me. Desesperadamente. Querendo que a minha dor, misturada com a dor de outros rostos, não fosse mais que apenas isso. Uma dor qualquer. De uma mulher qualquer. Como tantas outras. Uma dor anónima. De uma mulher anónima. Uma dor, por isso, desvalorizável.

Percebo hoje que a nossa maior restrição ao prazer e à alegria é termos medo de sentir dor. Sentir dor em nós. No nosso Self. Na nossa mente. No nosso Coração. No nosso estômago. No nosso sono. Na nossa Alma.

Sei hoje, que só perdendo o medo de sentir, posso sentir. Sentir que, qualquer que seja a questão, qualquer que seja o resultado, estarei cá. Preparada.

Mesmo que chore. Mesmo que angustiada. Mesmo que com medo. Mergulho nisso tudo. Consciente que só dessa forma estarei cá amanhã. Novamente. Para tudo o que a Vida me reserve. Para abraçar essa "insustentável leveza do ser", que nos caracteriza. E que tanto tentamos anular.

Teresa Marta

Dicas para Ultrapassar a Angústia do Tempo

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Deixar o desejo de controlar tudo

Aprender a deixar as coisas acontecerem, deixando-lhes o tempo que necessitam para se transformarem numa realidade que seja efectivamente a que melhor nos serve, é fundamental para restaurar a nossa fé na dinâmica natural da vida. O nosso desejo de tudo controlar, para que nada falhe, para que tudo corra a nosso favor, quando levado a extremos, cria estados ansiosos intensos e faz com que sejamos inundados pela frustração, sempre que as coisas não correm exactamente como planeámos.

Aprender com os ciclos naturais

Aprender a ficar mais perto da natureza e dos seus sábios ciclos permite-nos reflectir e agir de forma adequada perante o que nos acontece. Recorda-nos que também nós funcionamos por ciclos de crescimento, com paragens, renovações, morte e mudança constantes. E que tudo isso não é nada mais que viver. De forma assumida.

Limitar o desejo de abreviar os processos da vida

Sempre que abreviamos os processos estamos a retirar sentido aos factos e aos acontecimentos deixando de entender porque estão a ocorrer na nossa vida. Estamos, por conta própria, a interromper o nosso percurso de crescimento. Não permitimos sequer que o novo se instale, se organize e se mostre.

Permitir-se sentir medo, sem drama

A angústia para que as coisas aconteçam com brevidade impossibilitar-nos também de sentir como é habitar dentro de nós mesmos, com os nossos medos e os nossos fantasmas. Também eles precisam de completar o seu ciclo de vida. Só no seu tempo, os processos dolorosos podem transformar-se e terminar.

Praticar a espera

O desejo de que as coisas corram depressa e de que os resultados surjam rapidamente, traz para a nossa vida muito stress e limita a nosso bem-estar. Ficamos na ansiedade de saber rapidamente o resultado do que plantámos e não nos permitimos afrouxar para dar oportunidade a que as sementes se materializem.

Deixar as nossas acções darem frutos

Como disse Johann Peter Hebel (1760), “nós somos plantas que, quer nos agrade quer não, apoiadas em raízes, têm de romper o solo para florescer e dar frutos”. Cabe a cada um de nós perguntar-se o que estamos a fazer para deixar as nossas raízes fazerem o seu caminho.

Sem medo de recomeçar

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Já arrisquei por diversas vezes sair da minha zona de conforto. Por vezes fui bem sucedida, outras não. Conto nas estatísticas nacionais como alguém que já criou negócios que não funcionaram. Negócios que nasceram antes do próprio mercado estar preparado para eles. Ideias criativas que representavam apenas os meus sonhos e não os sonhos de muitos outros que os desejariam comprar. E não se tratou de falta de estratégia ou de planos de negócio. Como a nossa vida pessoal, a profissional também apresenta este hiato entre o que desejamos e o que nos acontece de facto.

Caminho bicicletaÉ o preço a pagar para saltar para o vazio acreditando que os nossos sonhos se podem efectivamente realizar. Para isso, temos de acreditar nalguma coisa que é desconhecida, em algo que por muitos estudos, equações ou conjecturas que façamos, não sabemos se irá dar certo.

A vida não é uma certeza e isso é a única certeza com a qual podemos contar ao longo da nossa existência. Se nada existe como certo, aquilo que podemos fazer é gerir a imponderabilidade de não sabermos como será o amanhã. Podemos escolher entre opções. Mas isso apenas nos oferece a possibilidade de, na incerteza entre uma opção e outra, garantirmos a melhor escolha face às possibilidades.

Existencialmente, a angústia gerada pela obrigatoriedade de termos de escolher, apenas consegue ultrapassar-se aceitando a incerteza. Aceitando que a maioria das circunstâncias da nossa vida estão fora do nosso controlo. Assumindo que a escolha que fizemos não foi a mais adequada. Arcando com a responsabilidade do nosso fracasso, encarando-o como uma oportunidade de fazermos melhor.

Neste processo, aquilo em que precisamos de acreditar, para começar, é em nós mesmos. Acreditar em nós deve ser a nossa escolha primordial e inicial. A partir daqui é mais simples acreditar que todos os saltos no desconhecido que façamos contribuem para o nosso crescimento e realização. Só tendo Fé em nós mesmos ficamos disponíveis para absorver e criar todas as possibilidades, ao invés de nos colocarmos do lado das limitações.

A nossa cultura do fracasso e do obstáculo faz com que nos foquemos nos nossos pontos fracos mais do que nos nossos trunfos. Como tal, aquilo que realmente temos de positivo é camuflado por aquilo que julgamos não possuir. No entanto, os acontecimentos menos bons poderão servir, simplesmente, para aprendermos algo com a situação. Não é de facto “a coisa”, como diria Martin Heidegger, que determina a forma como nos sentimos. Ao contrário, a forma como nos sentimos com as coisas que nos acontecem é o resultado daquilo que pensamos, da forma como encaramos as nossas experiencias.

Assim, a pergunta que tem de fazer a si próprio, não é se consegue sair da sua zona de conforto em segurança, sem fracassar. A grande questão que tem de se colocar é se efectivamente acredita em si, na sua resistência e na sua capacidade infinita de recomeçar.

Teresa Marta