Teresa sem medo

Estou feliz com a Família que tenho?

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É feliz com a sua família? Sente-se acolhida e bem aceite no seu seio familiar? Este artigo vem na sequência de um conjunto de questões de auto-diagnóstico que fazem parte do artigo Sou Feliz? que saiu na edição de Fevereiro da revista Prevenir, e que pode ler também aqui no blog.



 Auto-Diagnóstico: Sou Feliz com a minha Família?


Na minha Família:

a) Sinto-me muito incompreendida e até abandonada, pela minha família.
Acho que nunca perceberam os meus desejos e o que me faz feliz.

b) A minha família é como todas: há momentos bons e momentos maus.
Sempre ignorei os maus momentos. Assim evito sofrer.

c) Empenho-me para que na minha família exista compreensão e abertura.
Há espaço para expressar sentimentos. Tenho especial atenção para que a culpa e a crítica não sejam usadas. Ao invés, motivo a expressão de carinho e amor entre todos.

A trabalhar: 
Não critique a sua família nem apoie ou promova ressentimentos. A nossa família é um sistema de diferentes pessoas, cada uma com a sua história individual.

Geralmente, vemos a família como solução para as nossas feridas e um apoio para as nossas contingências, falhas e medos. Esquecemo-nos, amiúde, que “eles” procuram o mesmo. Como nós, também querem ser entendidos, amados e que não os abandonem. Esta é a sabedoria emocional que deve usar para melhorar os seus relacionamentos familiares e sentir-se mais feliz.

A verdade é que todos sentem estar a fazer seu o melhor.

Trabalhe o amor e a aceitação, essenciais para a sobrevivência do “clã”, mesmo nas situações mais difíceis. Conceda a si mesma a oportunidade de abrir o seu coração e permita que os membros da sua família façam o mesmo.

Anule a crítica, a culpabilização e o ressentimento. 
Tente compreender o caminho que os membros da sua família escolheram. Esta atitude é a base da mudança que deseja ver. Talvez esteja nas suas mãos iniciá-la!

Auto-Diagnóstico: Como estou de Saúde?

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"Serei Feliz?" -  Pergunta bem. Para alcançar a Felicidade, tem de acreditar na possibilidade de a encontrar.  Este artigo faz parte de um conjunto de questões de auto-diagnóstico, na sequência do artigo Sou Feliz? que saiu na edição da revista Prevenir de Fevereiro, e que está disponível também aqui no blog.


 Auto-Diagnóstico: Estou Feliz com a minha Saúde?


A felicidade na minha saúde:

a) O meu nível de energia é baixo.
Sinto-me exausta frequentemente. Acho que é de família. A minha mãe é igual.

b) A minha saúde não é o meu ponto forte e por isso protejo-me
Protejo-me imenso. Tomo vitaminas e faço check-ups anuais. Tento fazer uma alimentação cuidada e não tenho dependências.

c) Tenho uma boa relação com a saúde. Cuido de mim, física, mental e espiritualmente.
Sigo o que o meu corpo me diz que me faz bem. Não sou escrava de dietas, nem de medicação. Isso torna-me mais forte, mais saudável e consequentemente mais feliz.


A trabalhar: 
Se a sua ideia sobre saúde está próxima de afirmações como as de a) e b), poderá caminhar para uma vida com baixos níveis de energia anímica, bem-estar e felicidade.

Aprenda a cuidar de si, na totalidade. Isto significa cuidar do seu corpo, da sua mente e do seu espírito. Significa não insistir em comportamentos que já percebeu serem prejudiciais para si.

Afaste-se igualmente de pessoas que se queixam muito e que têm imensa preocupação com doenças. Vigie as suas emoções. Perceba que curar as suas emoções negativas é curar a sua saúde. Liberte raivas, ressentimentos, passados sofredores, pessoas que lhe fizeram mal. Liberte-se daquilo que lhe dá peso, que lhe recorda maus momentos, más experiências.

Você está agora aqui. Conseguiu, apesar de tudo. 
Como tal, abençoe o que conseguiu. O seu corpo, por ter resistido. O seu cérebro por não a ter abandonado. E coloque alegria e sorriso na sua vida. Mesmo que acorde sem grandes motivos para estar alegre, anime-se e vá para a rua distribuir alegria.

Sinta o que recebe. Isso é saúde. Isso dá verdadeira felicidade.

Auto-Diagnóstico: Sou Feliz... no trabalho?

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Como vê a Felicidade? Considera-se uma pessoa feliz? Sob que parâmetros avaliar, precisa de ajuda?
Em Fevereiro, saiu na revista Prevenir o artigo Serei Feliz? que já publiquei num post aqui no blog, na sequência do qual, surgem algumas questões de auto-diagnóstico. Esta é a terceira:

 Auto-Diagnóstico: Eu sou Feliz no meu trabalho?
(Profissão)


Sou feliz na minha profissão?

a) Odeio o meu trabalho.
Detesto o que faço e não me sinto feliz com o meu trabalho. Mas preciso do salário, por isso obrigo-me.

b) Mais ou menos.
Não digo que seja infeliz com o que faço, mas não sou propriamente uma pessoa realizada profissionalmente. Mas é o que tenho...

c) Sempre vi a minha profissão como uma das bases da minha realização pessoal.
Quando não me sinto plena com o que faço, crio objectivos pessoais para não me desmotivar. Nem que seja ajudar colegas em tarefas complicadas. Isso faz-me sentir útil e dá sentido ao meu dia.


A trabalhar: 
Estamos sempre à procura do melhor emprego. Com isso, pensamos em ter uma casa melhor, um carro melhor e uma melhor condição social. A questão é que esta azáfama em busca do next-step, faz-nos escravas da nossa própria procura.

Seremos felizes nesta azáfama? Ou será que aumenta a nossa insegurança e o nosso medo de não sermos suficientes?

Se assim for, tenha coragem pare cortar esta corrente. Não tenha medo do que ainda não tentou. Não podemos ser felizes amarradas a esqueletos que nos impedem de seguir em frente.

Avalie o significado pessoal do seu trabalho. Trata-se de uma obrigação que tem de cumprir? Ou algo que lhe dá prazer e bem-estar? Avalie se o seu trabalho a realiza, se contribui para dar significado à sua vida. Se a resposta for negativa crie um PPMP - Plano Pessoal de Mudança Profissional©.

Finalmente, mas não menos importante para a sua felicidade profissional: mesmo que o seu trabalho não seja o que deseja sinta-se grata. Pare queixas e negativismo. Caso contrário vai sentir-se angustiada, triste e sem forças para mudar.

Pense no seu actual trabalho como rampa de lançamento para outro que a realize. Mas lembre-se: a mudança só acontece se agir nesse sentido!

Nervos à flor da pele

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Ana tem 42 anos, é casada há 12 anos, tem uma filha com 8 anos de idade e trabalha numa loja de roupa. Quando veio à consulta disse-me: “decidi vir a esta consulta mas nem sei bem se preciso porque na minha infância não tive nenhum problema e até penso que tenho uma vida boa. Mas sou muito nervosa. Falaram-me destas consultas e decidi experimentar.”

Passadas algumas sessões, compreendemos que as preocupações da Ana se centravam no seu mal estar e na relação com o seu marido (João).

Ana diz que se enerva com facilidade com o marido: “implico muito com ele por coisas sem importância, grito muito e às vezes descontrolo-me ao ponto de partir loiça! Depois sinto-me muito mal comigo mesma. O João é muito bom para mim, toda a gente o aprecia e até me dizem que tenho sorte de o ter como marido. Sempre fui muito nervosa, mas gostaria de ser mais calma.”

Com o objectivo de compreendermos se o comportamento de Ana com o seu marido tinha sido sempre assim ou se tinha começado a partir de um determinado momento, Ana recorda: “quando vivíamos na casa da minha mãe, a relação com o João era diferente. Saíamos e convivíamos mais. Depois a Maria nasceu e começámos a construir a nossa casa.”

Posteriormente, Ana partilhou o facto de não ter relações íntimas regularmente com o marido. Isto, por um lado preocupa-a porque teme a traição, ainda que confie na fidelidade do marido; por outro lado frustra-a porque gostaria de voltar a ter satisfação na sua vida conjugal. Assim, e não se tratando de um problema de saúde, procurámos perceber esta mudança de comportamento conjugal e em simultâneo encontrar formas de o ultrapassar.

Às vezes, as pessoas encontram-se em situações de sofrimento, mas porque não encontram um acontecimento de vida que o justifique, não se permitem procurar ajuda.

Se pretende seguir a história da Ana não perca a próxima crónica!

Carina Silva
Psicóloga Clínica

Auto-Diagnóstico: Sou Feliz... no Amor?

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Ser feliz é o objectivo máximo de vida. Mas é também um dos mais difíceis de alcançar. Este artigo faz parte de um conjunto de questões de auto-diagnóstico que vêm na sequência do artigo Sou Feliz? que saiu na edição de Fevereiro da revista Prevenir, e que publiquei também aqui no blog.

Auto-Diagnóstico: Eu sou Feliz no Amor?
(relacionamentos)


Eu sou Feliz nos meus relacionamentos?

a) Ainda não encontrei a minha alma gémea.
Não sei se um dia vou conseguir amar e ser amada. Sinto-me incompleta e isso faz-me infeliz.

b) Nunca fui muito feliz no amor.
Sinto sempre medo de perder o outro. Isso estraga tudo. Acabo sempre por ser abandonada.

c) Retiro das minhas relações o melhor que me dão.
Acho que aprendo com todas, mesmo quando não correm tão bem como esperava.


A trabalhar: 
Acreditamos que para sermos felizes temos de ter um relacionamento amoroso e que este nos deve dar a felicidade que imaginámos. No entanto, felicidade e amor podem nem sempre andar de mãos dadas. Desde logo, porque não podemos pedir ao outro que nos dê aquilo que nós não conseguimos dar ou criar.

Não devemos ver os relacionamentos como base da nossa felicidade. Isso é transferir para o outro a responsabilidade de sermos ou não felizes. Se o outro estiver presente e corresponder às expectativas, estamos bem.

Quando não existe ninguém ou não corresponde àquilo que esperávamos, ficamos ansiosas, angustiadas, perdidas e a vida fica sem sentido.

Foque-se nos momentos de alegria dos seus relacionamentos e viva-os em pleno. Quanto mais usar a alegria na sua vida amorosa, sem julgamentos prévios e comparações com o passado, mais feliz se sentirá.


Auto-diagnóstico: Para mim, felicidade é...?

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Na continuação do artigo Serei Feliz? que publiquei num post anterior aqui no blog, surgem algumas questões de auto-diagnóstico. Não pretendo aqui definir Felicidade, mas ajudar a identificar aspectos da sua vida que pode melhorar para se sentir mais feliz.

Auto-diagnóstico - como vejo a Felicidade?


1. Para mim a Felicidade é:
a)   Algo inalcançável. Nunca somos completamente felizes.
b)   Uma meta difícil. Depende da conjugação de muitos factores que não podemos controlar.
c)   A Felicidade é um estado de equilíbrio global que consigo sentir quando me foco no lado positivo da vida, mesmo quando não parece haver nenhum.


2. Já fui feliz?
a)   Nunca me senti completamente feliz.
b)   Sim, quando era (nova/casada/solteira/amada…) e tinha (dinheiro, amigos, uma profissão que gostava, casa de praia…).
c)   Nunca me sinto infeliz. Posso ter momentos maus, mas tento sempre ver o lado positivo das situações. Isso leva-me para o que posso fazer e desfoca-me daquilo que perdi ou posso perder.


A trabalhar:
Se vê a felicidade como difícil de atingir, é natural que ela teime em não ir ao seu encontro. 

Recorde que aquilo em que colocamos energia prospera. Se dedicar as suas forças ao lado negativo da vida terá dificuldade em alcançar aquilo que deseja de bom. Neste sentido a felicidade exige que nos reprogramemos.

Se o seu cérebro tende a ver o lado negativo e facilmente perde a esperança, tem de mudar os seus pensamentos, pois isso mudará a forma como se sente. O pensamento treina-se. Pode conduzi-lo para o lado  positivo, mesmo em situações que à partida parecem desesperantes.
A felicidade constrói-se dia-a-dia, sem pressa, a partir de momentos simples, que por vezes nem temos consciência de estarem a ocorrer. Acredite na sua capacidade infinita de mudar. Aja em função da mudança que deseja ver na sua vida, começando por mudar os seus pensamentos.

Serei Feliz?

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Capa da edição de Fevereiro 2015 da revista Prevenir FELICIDADE Para a alcançar, tem de acreditar na possibilidade de a encontrar e viver em função daquilo que sente e deseja, em vez de se regular pelo que os outros esperam de si.

Serei Feliz? 

Pergunta bem. A felicidade deve estar no topo das suas prioridades. Encontre a sua resposta em sete áreas-chave da sua vida e descubra o que precisa para a alcançar.


Felicidade, o que é afinal? 

Não sendo fácil defini-la existem algumas noções em torno do conceito que podem ajudar a encontrar a sua: a felicidade é um estado que inclui a conjugação simultânea de várias vertentes – a físico-biológica, a psico-emocional e a espiritual. É um sentimento, logo, é subjectiva – depende da interpretação de cada um face às circunstâncias.
Isto faz, por exemplo, com que existam pessoas que se sentem felizes por serem saudáveis e amadas e outras que, mesmo amadas e tendo saúde, se sentem infelizes. Precisam de “algo mais”.

Uma coisa é certa: a sensação pessoal de felicidade aumenta quando vivemos em função daquilo que sentimos que nos faz bem, ao invés de regularmos a nossa vida por aquilo que os outros acham ser o mais correto para nós.

A felicidade tende também a estar mais presente nas pessoas que acreditam na possibilidade de a alcançar. Ser honesta com aquilo que sente e deseja é um dos caminhos mais eficazes para ser feliz.

Ponha em prática esta atitude para responder às questões que se seguem e talvez encontre o caminho para a sua felicidade:

1. Para mim a felicidade é...?

2. Serei Feliz no Amor?

3. Sou Feliz no meu Trabalho?

4. E a minha Saúde?

5. Estou Feliz com a Família que tenho?

6. Qual é a minha relação com o Dinheiro?

7. Serei Feliz nas minhas Amizades e relacionamentos?

Clique nos links acima e encontre algumas Dicas para ajudar a responder a estas 7 questões e ajudar a ser mais Feliz nestas 7 áreas da sua vida.

Este artigo é a primeira parte de um artigo escrito por mim para a revista Prevenir e que foi publicado na edição de Fevereiro de 2015. A continuação está em cada uma das perguntas.

Problemas de Amor

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Problemas de amor - a história de João

Quando chegou à primeira consulta João disse: "não sei o que fazer, não consigo controlar-me. Desde que a minha namorada partiu em viagem, por motivos profissionais, sinto-me desorientado. O comportamento dela mudou. Envio-lhe mensagens e ela não me responde logo. Às vezes vejo que está online no WhatsApp e não me responde. Ela diz que me ama mas já não sei se hei-de acreditar".

João criava múltiplos cenários para explicar o comportamento da namorada e tentar saber se ela ainda o amava. Isto deixava-o esgotado, tinha dificuldade em dormir, perdeu o apetite e andava sempre muito nervoso.

Em poucas sessões de terapia, João aprendeu a usar a respiração para o ajudar a regular as suas emoções, para ficar mais tranquilo e, desse modo, poder focalizar-se mais em si próprio e no que sentia. 


Percebemos que João teve uma infância feliz, mas, na adolescência o pai considerava-o muito frágil para participar em tarefas que exigiam maior esforço físico. Esta atitude do pai, numa idade extremamente sensível para a formação da sua auto-imagem, contribuiu para a construção de uma ideia negativa de si próprio. 

João foi compreendendo porque escolhera ser personal trainer. Esta profissão permitia-lhe tentar ultrapassar a insegurança que sentia em si próprio. Tomou consciência do seu pensamento que lhe dizia que, ter um corpo forte o faria sentir muito mais seguro. Além disso, tomou também consciência que todas as suas ex-namoradas, à semelhança da actual, eram mulheres extremamente bonitas e que, através da relação com elas era como se sentisse também bonito, forte e confiante. Assim, quando a relação ficava ameaçada, era como se o próprio João ficasse em risco. 

Actualmente, João tem uma namorada que o respeita e está verdadeiramente interessada nele. Mas precisou encontrar a segurança em si mesmo, independentemente do comportamento da namorada. 

Muitas vezes, os problemas dos relacionamentos amorosos escondem problemas de amor-próprio e de auto-estima, colocando no centro a questão de saber se o outro nos ama ou não, ao invés de nos focarmos em sentir se a relação nos faz ou não felizes.

Carina Silva
Psicóloga Clínica

Mais magra ou mais "forte"?

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O Marketing define o valor de um produto de forma muito simples: o valor é aquilo que o consumidor diz que é. Neste sentido, o valor não é mensurável. Resulta da apreciação subjectiva de cada consumidor.

E o que se passa com a avaliação do valor das pessoas? Basicamente, o mesmo! O nosso valor resulta da avaliação (subjectiva) que os outros fazem de nós. Em geral, passamos a vida a tentar corresponder ao valor que os outros acham que temos. No entanto, lutar dia-a-dia para corresponder às expectativas dos outros desgasta-nos, cansa-nos, gera angústia em nós. Perdemos a noção de quem somos realmente: se nós, se a imagem reflectida de nós. 

Em resultado da percepção do outro, lutamos em permanência para sermos alguém de quem os outros gostem, que os outros apreciem, que os outros reconheçam, acabando por esquecer quem de facto somos, qual o nosso valor efectivo.

A angústia gerada por tentarmos corresponder ao que esperam de nós é ainda agudizada pelos objectivos que colocamos a nós próprias. Estamos sempre a esticar a fasquia! Queremos forçar as coisas a acontecerem, desejamos controlar tudo: nós, os outros, os acontecimentos, o tempo, a evolução natural do nosso corpo, a idade. E acabamos por nos concentrar muitas vezes naquilo que não temos, no que nos falta, no que não somos, no que não chega ou não é suficiente.

Num mundo que esgota a nossa identidade ao avaliar-nos pelo que fazemos, pela nossa beleza, a nossa riqueza ou a nossa pobreza, o nosso poder ou a nossa juventude, angustia-mo-nos ao vivermos em função daquilo que julgamos dever ser. Dizemos a nós próprios, “se eu fosse mais alto, mais jovem, mais magro, mais rico, mais comunicativo, mais feliz…”, estaria tudo bem.

Mas não estaria tudo bem. Bem, ficaremos quando tivermos carinho por quem somos, compreensão pelo que estamos a viver e respeito pelo que já fizemos.

Teresa Marta

Emoções e Matemática

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Há dias tive uma reunião na escola do meu filho e confesso que fiquei chocada. Custou-me ouvir aquela preocupação extrema dos pais relativamente às avaliações e às médias. Fiquei, até hoje, sem conseguir esquecer uma das questões colocadas: "Mas afinal, porque é que um suficiente e um bom não dá 4? Porque é que o Professor só deu 3?"

Esta, e outras perguntas idênticas, levam-me a questionar, o que estamos a pedir aos nossos filhos. Porque estamos tão focados nas médias, em medir tudo, como se cada criança fosse um número, uma catalogação? Como se não fosse um ser singular e único? Como se numa nota estivesse um destino?

Porque estamos tão preocupados com as notas e menos preocupados em pedir aos nossos filhos valores como a autenticidade e a humildade? Valores como o respeito pelo outro, a companhia, a amizade, a alegria, o sentido de humor?

Talvez não estejamos a conseguir ensinar-lhes a reagir de forma aberta, criativa e positiva aos acontecimentos inesperados e naturais que surgem ao longo da vida. Talvez não estejamos a conseguir motivá-los a expressar as suas opiniões, convicções e sentimentos, sem complexos, sem medo de serem avaliados e de serem medidos. Estaremos a trabalhar para que os nossos filhos acreditem incondicionalmente em si próprios?

Talvez fosse importante aprendermos a ser mais flexíveis com os objectivos que colocamos aos nossos filhos. A sentir cada acontecimento do percurso escolar, mesmo os maus, como uma oportunidade de melhorar. De perceber e entender que cada pessoa tem um percurso próprio, que os nossos filhos não são, nem nunca poderão ser, uma fotocópia de nós mesmos (nem dos nossos sucessos, nem dos nossos insucessos).

Não importa tanto a grandeza dos projectos, o valor das classificações, o quadro dos três melhores da escola. Importa muito mais fomentar a confiança em si próprio, a vontade de continuar, mesmo quando as coisas correm mal, de ter esperança no futuro, de aguentar firme mostrando que aconteça o que acontecer, há soluções.

E há que dar atenção ao amor incondicional. Não apenas o que sentimos pelos nossos filhos, mas o que motivamos os nossos filhos a sentirem por si próprios. Ensinando-os e motivando-os não a lutar para serem os melhores, mas a lutar contra todos os que limitem a sua coragem, a sua criatividade e a sua capacidade de sorrir. Contra todos os que ataquem a sua auto-estima. Por certo, desta forma, acabarão por ser os melhores! Em alguma coisa. Talvez naquilo que de facto os realiza e faz felizes como seres humanos.

Temos o dever de ajudar os nossos filhos a escolherem o seu próprio caminho, ao invés de os condicionar ao caminho que desejámos para nós. Temos o dever de nos preocuparmos menos em transformá-los em entidades produtivas. E de nos preocuparmos mais em que sejam pessoas felizes e equilibradas.

Teresa Marta