Teresa sem medo: Trabalho
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Para ser feliz a trabalhar

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Avalie o significado pessoal do seu trabalho  
O que pensa do seu trabalho? Trata-se de uma obrigação que tem de cumprir? Ou algo que lhe dá prazer e que lhe proporciona bem-estar? Não importa as horas que passa a trabalhar. O que importa que avalie é se o seu trabalho a realiza, se contribui para a dar significado à sua vida. Se a resposta for negativa, avance desde já para um PPM (Plano Pessoal de Mudança).

Sinta-se grata
Mesmo que o seu trabalho ainda não seja o que deseja, sinta-se grata. Pare com as queixas e o negativismo. Caso contrário vai começar a sentir-se angustiada, triste e sem vontade de mudar seja o que for. Pense no seu actual trabalho como uma rampa de lançamento para outro que a realize. Mas lembre-se que a mudança só acontece se agir nesse sentido!

Derrube barreiras
Se identificar obstáculos ao que pretende, algo que não gosta ou com o qual não concorda, expresse a sua opinião sem medos ou complexos. Separe as pessoas dos seus comportamentos. Cada pequena barreira que deixa por derrubar hoje fará parte dos seus problemas a resolver amanhã.

Se cair, levante-se!
Na vida, como no trabalho, mesmo tropeçando, mesmo caindo, é muito importante que persista. Não desista, mesmo quando parece que já não lhe restam forças. Verá que aos poucos vai começar a sentir-se melhor pois está usar a força do fazer. A força de fazer algo de novo. Ou de fazer algo antigo de forma diferente. Afinal, o que a está a impedir?

Praticar o desapego

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“Após a minha rápida e brilhante ascensão profissional, que me levou ao topo das grandes hierarquias, percebi que afinal não tinha nada. Exteriormente, tinha tudo o que sonhara ter, mas não tinha nada dentro de mim. À noite, deitava-me imerso nos meus pensamentos de como alcançar novos objectivos, de como conseguir que o meu nome ficasse impresso nos livros de gestão.

Até a minha mulher, que eu achava amar, contribuía para sedimentar o meu estilo de vida. No entanto, aos poucos, deixou de me pedir explicações por atrasos ou ausências, de me pedir que a acompanhasse às compras, ao cinema ou ao médico, deixou de falar-me do seu dia e tão pouco se continuou a preocupar com a escolha da minha gravata.

Impus-me então, após um duro divórcio, uma pausa sabática de dois anos onde acabei por concluir que não fizera nada de grandioso. Para ser sincero acho que nunca criei ou inventei nada de extraordinário. Estive amarrado à ideia de que era alguém muito importante. Às vezes questiono-me se valeu a pena ter ficado preso à condição de fazer tudo para que outros prosperassem e eu beneficiasse com isso”.

Quando se trabalha em Relação de Ajuda, confrontamo-nos muitas vezes com descrições de vidas como esta. Na exigência que impomos a nós mesmos, nunca nada é suficientemente glorioso, visível ou importante. Desvalorizamos as pequenas conquistas, que são passos gigantes para afirmar a nossa singularidade, o nosso valor único e distintivo, a nossa capacidade de ver para além do momento presente, para além das crises que enfrentamos. Pequenos momentos, que nos devolvem a capacidade de acreditar na vida, de acreditar na nossa força infinita para fazer a mudança.

Para sermos efectivamente alguém de quem gostamos, alguém com sentido para si mesmo, é preciso muitas vezes passarmos pela contingência de não ter nada: passarmos pela “desmaterialização”, praticarmos o desapego. Desde logo, desapegarmo-nos das expectativas que colocaram sobre nós, dos objectivos que perspectivaram para nós. Ao mesmo tempo desapegarmo-nos da ideia de que não somos merecedores. De que nunca somos suficientes. De que o nosso merecimento está dependente do valor que os outros nos atribuem.

Praticar o desapego significa, apenas isto: ter a coragem para deixar ir. Deixar partir. Rendermo-nos. Deixar ir velhos preconceitos, deixar ir as guerrinhas do dia-a-dia, a raiva, a ira, a angústia, o nó no estômago, o medo de falhar, o perfeccionismo, a preocupação do “e se?” e do “como vou conseguir lá chegar?”. Praticar o desapego significa ter coragem de nos assumirmos pelo que somos e não pelo que temos.

Desapegar é, no entanto, muito difícil. Desde logo, porque temos consciência de que podemos estar a sair para o nada, a deixar algo para entrar no vazio. Neste processo surge a sensação interna de que podemos cair. E com essa sensação, o medo. E com ele a vontade de ficar imóvel. De ficar voluntariamente preso à nossa zona de conforto.

Em termos existenciais distinguimos dois tipos de necessidade de praticar o desapego: o desapego relativo ao passado (face ao que tivemos e já não temos, face ao que amámos e que será irrepetível, o desapego face à culpa e à perda) e o desapego face ao futuro (face ao que pode ou não vir a acontecer, face ao que não podemos mas desejamos prever).

Finalmente, praticar o desapego significa percebermos e interiorizarmos que a única coisa que podemos efectivamente controlar é a escolha do que sentimos face ao que nos acontece. Esta é a base da sabedoria emocional. Tudo o resto é apego ao “velho” e não nos serve para nada.