Teresa sem medo: dor emocional
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O medo dói

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Costumo dizer aos meus coachies que o medo depende muito da forma como criamos a "história". O medo depende, de facto, da forma como interpretamos o que nos acontece. E mais: o medo depende da forma como imaginamos aquilo que nos pode vir a acontecer, muito antes do acontecimento. 

Como tal, criamos cenários com base na nossa imaginação. Cenários, que têm por base aquilo que já vivemos, mas também aquilo que os outros nos dizem que viveram e aquilo que ouvimos dizer a pessoas que nem conhecemos. 

Lembro-me, por exemplo, que quando estava grávida deixei de ouvir seja que história fosse sobre a experiência do parto! Eu já temia o parto. Eu desejava ter um parto natural, que tudo corresse bem. Mas de cada vez que me viam a ficar mais barriguda, mais os cenários surgiam como algo potencialmente perigoso. Até que decidi deixar de ouvir. Cheguei até a ser mal interpretada por isso. Mas o parto seria o meu. O corpo seria o meu e a mente seria a minha. Como tal, eu queria criar a minha história feliz. Com os meus ingredientes de felicidade. E foi assim que fiz. 

Isto acontece com as grávidas, mas também em situações como um simples exame de condução. Uma ida às finanças prestar informações sobre o IRS ou um convite do médico para que voltemos à consulta antes do tempo que prevíamos. O medo começa logo a funcionar. E, na grande maioria das vezes, os culpados somos nós. Começamos por contar à família que fomos chamados para ir às finanças. E aí começa a grande caminhada do medo. Contam-nos logo imensos cenários (o mais realistas possível) de coisas que já viveram relativas às finanças, de outras que ouviram e de outras ainda, que são os clichés: "das finanças nunca vem nada de bom!". E pronto, quando chegamos ao dia de irmos ao balcão o céu está a desabar sobre nós!  

Num outro cenário, menos catastrófico, estão as pessoas que nos tentam ajudar. Estas, gostam muito de usar expressões como: "O teu medo não tem qualquer sentido" ou "Ter medo não te ajuda nada!". 

Se quer ajudar alguém que sente medo...
Não desvalorize o medo do outro. Quem tem medo sente-o! O medo dói! O medo angustia! O medo faz-nos ter ainda mais medo. Ninguém tem medo por prazer. Por isso, ao invés de desvalorizar o medo do outro, tente perceber porque ele se sente assim. E se nada puder fazer abrace. Dê colo. Esteja presente. "Apenas" isso. 

Teresa Marta

Coragem para Entrar na Dor e Sair Reforçada

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Acho que a Coragem só se conquista depois de experimentarmos a dor. É duro isto que digo. Talvez até desmotivante. Mas é a verdade. Dor. Sentida. Vivida. Plasmada em nós. Dor que senti tantas vezes. No meu percurso. Na minha vida. E às vezes. Tantas vezes. Tantas. Uma dor experimentada. Tantas vezes, repetidamente.

Só na multidão

A dor emocional é uma das nossas maiores aprendizagens. Senti-la. Deixá-la avassalar-nos, se assim tiver de ser. E tantas vezes, comigo, teve de ser. E tantas vezes me isolei pensando que assim sentia menos. E tantas vezes parti anónima. Entre a multidão da grande cidade. Querendo confundir-me. Desesperadamente. Querendo que a minha dor, misturada com a dor de outros rostos, não fosse mais que apenas isso. Uma dor qualquer. De uma mulher qualquer. Como tantas outras. Uma dor anónima. De uma mulher anónima. Uma dor, por isso, desvalorizável.

Percebo hoje que a nossa maior restrição ao prazer e à alegria é termos medo de sentir dor. Sentir dor em nós. No nosso Self. Na nossa mente. No nosso Coração. No nosso estômago. No nosso sono. Na nossa Alma.

Sei hoje, que só perdendo o medo de sentir, posso sentir. Sentir que, qualquer que seja a questão, qualquer que seja o resultado, estarei cá. Preparada.

Mesmo que chore. Mesmo que angustiada. Mesmo que com medo. Mergulho nisso tudo. Consciente que só dessa forma estarei cá amanhã. Novamente. Para tudo o que a Vida me reserve. Para abraçar essa "insustentável leveza do ser", que nos caracteriza. E que tanto tentamos anular.

Teresa Marta