Teresa sem medo: divórcio
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Medo de perder quem amamos

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O receio de perder a pessoa que amamos acontece porque temos medo de ficar sós, que nos abandonem e que deixem de nos valorizar. Este medo gera em nós a sensação sermos insuficientes, de não sermos “competentes” para manter uma relação. Este receio tóxico condiciona por completo a forma como nos vemos, o nosso auto-conceito e a nossa auto-estima. Agimos (ou deixamos de agir) com medo de fazer algo de errado. Algo que possa afastar o outro. Que faça com que o outro vá embora. Condicionamos o nosso comportamento e deixamos de ser naturais. Chega um momento, em que deixamos de nos conhecer.

Está a potenciar o medo de perder quem ama quando: sente que a sua vida depende da existência de um parceiro ou de um relacionamento. Quando não reforça a sua auto-estima e quando o seu auto-conceito está muito dependente do feedback do outro. O medo de perder quem amamos também é favorecido quando nos deixamos dominar por emoções de raiva, ira e angústia. O medo do abandono é também agudizado quando já sentimos a dor de perdas emocionais de pessoas importantes nas nossas vidas. Neste caso, é importante recordar a importância de vivermos concentrados no dia de hoje ao invés de nos focarmos nas experiências que nos marcaram negativamente. Pensar positivo é de facto uma escolha. E depende de nós!

Erros a evitar perante o medo de perder quem amamos: culpabilizar-se pelos “males” da relação. Não ver o outro como tábua de salvação para o eliminar o seu medo de estar só. Esquecer-se de valorizar o que o seu relacionamento tem de bom. Não praticar a escuta atenta do outro, mesmo quando “ele” está em silêncio. Não conseguir ver soluções para as crises focando a atenção apenas no que é mau.

Quando o medo de perder quem ama surgir, pense: “Não desisto de melhorar a minha relação a cada dia!”. “Foco-me em tudo de bom que a minha relação tem e com isso consigo expandir a alegria ao meu companheiro”. “Não há relações perfeitas nem pessoas perfeitas. Estamos ambos a fazer o nosso caminho e conseguimos cada vez mais ajudar-nos mutuamente!”

O que pode fazer para eliminar o medo de perder quem ama: tome consciência de que está a fazer o melhor que pode, com as condições e o conhecimento que tem neste momento. Pense em si como um ser em construção e não como alguém que estagnou. Trabalhe no sentido de sentir-se confortável pela pessoa que é, ao invés de estar em permanência a tentar ser quem acha que devia ser!

Exercício prático: Liberte ideias como: “Talvez eu não mereça o amor dele!”, “Talvez esteja a exagerar ao querer saber tudo!”, “Talvez já não goste de mim como antes!”. Fique disponível para deixar ir! Renda-se ao facto que todos os fins são novos começos, com muito mais sentido.   

Teresa Marta   

Relações Amorosas e a Lei da Substituição

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Quando uma relação termina muitos de nós procuram de imediato algo para a substituir. Na maioria dos casos “surge” outra pessoa, outras vezes as noitadas intermináveis nas redes sociais, o chocolate comido compulsivamente, os ataques ao frigorífico, o vaguear noite fora com amigos ou sem eles.

Este tipo de comportamento surge porque o vazio causado pela falta do outro é muito difícil de integrar. Quando de repente não temos ninguém que nos ouça, que faça barulho em casa ou que espere por nós, surge uma necessidade de recompensa imediata. Precisamos de tapar o “buraco do vazio”.   

De facto, aprendemos a ser “em relação com”. O outro é o garante da nossa existência. Quando perdemos o outro instala-se uma angústia dilacerante. Ficamos do lado da insegurança, da incerteza e do medo de não voltarmos a amar ou de que mais ninguém nos ame. Não há modelo para a solidão. 

À semelhança de outros tipos angústia, a angústia provocada pelo vazio é umbilical: é uma angústia de separação, de cisão com o conhecido, de saída do útero, de perda daquilo que conhecemos, de ida para um local onde precisamos aprender a viver com outras normas, outras pessoas e outros espaços. E se não conseguirmos? E se fraquejarmos?

Nos relacionamentos amorosos, perante a ausência do outro o mais simples é a fuga através da “Lei da Substituição”: tentarmos a todo o custo tapar o vazio que sentimos adoptando estratégias que nos impeçam de contactar com a realidade.

A angústia da separação ocorre, inclusive, em relacionamentos onde há muito já não existia amor, harmonia ou sentimentos de carinho entre os pares. Esta aparente ambiguidade resulta, mais uma vez, do facto de precisarmos do outro para nos completar, para nos sentirmos totais, para nos sentirmos pessoas.

Sempre que saltitamos de relação em relação, sem nos permitirmos sentir o vazio, a dor emocional e a angústia da separação, continuaremos angustiados, incompletos e em busca do nosso Eu.

Dar tempo ao Vazio, para que se transforme em algo positivo, em crescimento emocional, é difícil. Mas é, sem dúvida, uma grande oportunidade que a vida nos dá para sermos felizes. 

Teresa Marta